Alerta de IA.
Depois
de virar notícia nacional e tornar Garanhuns conhecida de norte a sul não
apenas pelo clima ameno e pelos eventos famosos, o auxílio-alimentação aprovado
pelo Prefeito para si mesmo, seu vice, Secretários e presidentes de autarquias
acabou de fazer aniversário no último dia 14 de agosto de 2025.
Não
sabemos se o Prefeito e seus auxiliares gastaram parte dos R$ 750 mil que
receberam durante o último ano comemorando com um kit festas, mas sabemos que
foram às últimas consequências para restabelecer o benefício, após a sua
suspensão liminar pelo Judiciário (fonte: https://g1.globo.com/pe/caruaru-regiao/noticia/2025/09/17/justica-libera-auxilio-alimentacao-de-r-5-mil-para-prefeito-de-garanhuns.ghtml).
Não
adiantaram os protestos e a fúria das redes sociais, que já vinham sendo
registradas desde antes da canetada que criou um benefício para autoridades que
não apenas ganham muito bem, mas ainda abocanham R$ 168 mil anuais em
coffe-break e almoços chiques (fonte: https://www.instagram.com/p/DdDBYJ5DV-w/).
Tudo
isso levou à uma ação popular, proposta por este que vos escreve, que, sem
muita esperança e diante do cenário de consternação e inação geral, resolveu
confiar no Direito para tentar mostrar aos poderosos que eles não podem tudo e
que a deusa cega da balança ainda paira no mundo dos mortais. Para a alegria de
quase todos os garanhuenses (menos os beneficiários do auxílio e seus
asseclas), o Judiciário suspendeu o vergonhoso benefício, o que, infelizmente,
não durou muito.
Para
compensar receber um auxílio-alimentação maior que os dos ministros do STF e até
mesmo que o presidente Lula, o Prefeito decidiu doar R$ 6 mil para o Abrigo São
Vicente de Paula e para a APAE (fonte: https://blogcenario.com.br/2025/09/03/coluna-da-quarta-prefeito-de-garanhuns-vai-doar-parte-do-seu-salario)
o que já demonstra que a simples contestação judicial do benefício já gerou
algum benefício social.
No
entanto, o vice-prefeito, secretários e presidentes de autarquia mantiveram,
caladinhos, seus R$ 2.500 mensais, R$ 690 mil anuais.
Uma
pergunta que muita gente faz é: sim, e como tudo acabou?
A
verdade é que não acabou. Só a liminar que suspendeu o pagamento do auxílio-alimentação
caiu, mas o processo ainda não teve uma decisão final.
O
Judiciário reuniu a ação popular que gerou a suspensão liminar do auxílio (Processo
nº 0005657-35.2025.8.17.2640) junto
à outra ação popular e à uma ação civil pública movida pelo Ministério Público
para julgar os três processos de forma conjunta. Depois de controvérsias sobre
quem seria o promotor legalmente habilitado para representar a sociedade nessa
importante demanda, os processos se encontram prontos para serem sentenciados,
inclusive com parecer amplamente favorável do Ministério Público.
Até
lá, ficam as lições de todo o episódio: o abuso do poder sempre tropeça no
próprio excesso. Se é verdade que o poder absoluto corrompe absolutamente (Thomas
Paine), também é verdade que a primavera pode demorar a chegar, mas não pode
ser detida. É pelos excessos que conhecemos os reais objetivos dos que estão no
poder, e é pela sua postura nos tempos de bonança que lhes advínhamos o caráter.
Aprovar benefícios pagos com dinheiro público, mesmo auferindo quase 40 mil
reais de salário, e brigar na justiça por eles, mesmo diante do constrangimento
nacional de defender uma medida indefensável e imoral, demonstra que o objetivo
dos que estão no poder é locupletar-se com recursos públicos e, mais que isso,
transmitir uma mensagem simbólica: eles podem fazer o que quiserem devido aos
polpudos êxitos eleitorais.
Contudo,
nenhum poder dura para sempre. E Garanhuns já provou que, quando enjoa dos seus
tiranos de plantão, eles nunca mais voltam a por os pés na Prefeitura. Hoje, estamos
na expectativa de que o Judiciário se posicione e, assim, possa recuperar um
pouco da sua imagem perante a opinião pública nacional, tão fustigada nos últimos
tempos. A outra expecativa é que a população responda, nas urnas, o que realmente acha do auxílio-alimentação e de outras políticas de enriquecimento da família que governa a cidade.
Que
a Justiça se faça presente e que o auxílio-alimentação que envergonhou
Garanhuns nacionalmente não sopre duas velinhas ano que vem!

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