sexta-feira, 2 de outubro de 2026

CANDIDATOS A DEPUTADO FEDERAL EM GARANHUNS: EM BUSCA DAS GLÓRIAS PERDIDAS



Resumo: candidatos a deputado federal de Garanhuns, com número do candidato e pequeno histórico. Veja quem são os candidatos da esquerda, direita e centro, do Prefeito Sivaldo Albino e da oposição, quem apoia Raquel Lyra, Lula ou Flávio Bolsonaro.

 A última vez que Garanhuns elegeu deputados federais foi nas eleições de 1986 (fonte), onde Cristina Tavares e José Tinoco conseguiram grandes votações (40.618 votos e 37.464, respectivamente). Note que, naquela eleição, Cristina Tavares teve 2,3% dos votos para deputado federal; se aplicássemos esse percentual ao total de votos válidos de 2022, seria o equivalente a 112.816 votos. Ou seja, no passado, em plenos anos 80, Garanhuns conseguia emplacar uma deputada com o que equivaleria hoje a mais de 100 mil votos, e ainda conceder a outro candidato uma quantidade parecida de votos. 

Isso não seria impossível hoje, já que, com os municípios vizinhos, Garanhuns poderia concentrar mais de 300 mil votos. Daí, não ser surpresa a cidade eleger não um, mas dois deputados federais!  

E o que aconteceu com a cidade? Por que não elege mais deputados federais? Esse é um assunto para outras conversas, mas, simplificando de forma grosseira, o motivo é claro: os garanhuenses e seus vizinhos de Brejão, Bom Conselho, Capoeiras etc. se acostumaram a votar em quem é de fora. Cada Prefeito pensa nos próprios interesses, apoia deputados que nem sabem pronunciar o nome da cidade e a região continua afundando no subdesenvolvimento. Falta ao líder do maior deles, justamente Garanhuns, a coragem de, primeiro, ter um projeto de desenvolvimento para a região e, segundo, lançar um candidato um deputado federal do agreste meridional com amplo apoio dos municípios.

Mas deixemos os sonhos de lado. Sigamos.

De início, o voto para deputados e vereadores no Brasil requer muito cuidado da parte do eleitor. Não deveria ser assim, já que um sistema representativo deveria ser claro e de fácil assimilação por parte do eleitor - mas a verdade é que o sistema proporcional de representação, aqui adotado, é complicado e afasta eleitor e eleito. Em resumo: o eleitor vota em um candidato, mas auxilia a eleger outro que não conhece, e que, talvez se conhecesse, não votaria. Atualmente, as antigas coligações partidárias (onde, por exemplo, partidos totalmente distintos estavam juntos) não mais existem para cargos legislativos, mas, no lugar, estão as federações partidárias.

Basicamente, partidos se juntam para somar votos e recursos, mas terão que se manter juntos por 4 anos, ao contrário do que ocorria nas coligações, onde a união se dissolvia após a eleição. 

Nessas eleições, competem em todo o país a Federação União Progressista (PP e União Brasil), Brasil da esperança (PT, PCdoB e PV), Federação PSDB-Cidadania e Federação Psol-Rede. Ou seja, os partidos apresentam uma lista de candidatos para competir ao mandato e, no caso da federação, essa lista é conjunta entre os partidos participantes.

Nesse sentido, sua primeira atitude como eleitor é verificar se seu candidato pertence a uma federação. Se positivo, saiba que seu voto pode ajudar a eleger um político de outro partido da mesma federação. 

Dito isso, como funciona o sistema proporcional?

Agora que sabemos como os partidos se organizam para o pleito, você deve entender que cada partido ou federação terá direito a uma vaga se atingir o quociente eleitoral, que é a quantidade mínima de votos que um partido ou federação tem que ter para conseguir uma vaga. Ou seja, o senso comum que todos temos de que "os mais votados são os eleitos" não é totalmente verdadeiro em uma eleição proporcional: são eleitos os que possuem mais votos, dentro de um partido ou federação que atingir o quociente eleitoral ou, nas vagas remanescentes, 80% dele. 

Um partido pode ter uma montanha de votos, mas simplesmente porque lançou mais candidatos. Em que pese os mais votados estarem em outra legenda, essa terá menos vagas, já que teve menos votos no total. 

Por exemplo, se 10 partidos lançam candidatos que almejam 10 vagas, e foram 10.000 votos na eleição, cada partido terá que ter 1.000 votos para ter direito a uma vaga. Se um partido obtém 5.000 votos, ele terá 5 vagas; se outro obtém 3.000, 3 vagas, e assim por diante. Caso sobrem vagas, o cálculo é feito somando o número de votos e dividindo pelo número de vagas, mais um, e quem tirar a maior média ganha a sobra.  É justamente aí que os partidos que alcançaram pelo menos 80% do quociente eleitoral entram. Assumem as vagas do partido os mais votados nele. Para ter direito à vaga, o candidato ainda precisa ter 10% do quociente eleitoral como votação, no mínimo, o que, no nosso exemplo, seriam 100 votos. 

No nosso exemplo, um partido que obteve 800 votos poderia disputar as sobras.

Ou seja, tenha cuidado com os demais candidatos no partido ou federação da pessoa que você escolher para votar. Se você votar no seu candidato e ele não for um dos mais votados da legenda, seu voto vai ajudar a eleger outro cara do partido. Lembrem que a vaga pertence ao partido, não ao candidato. Em suma, se você não gosta do governo Lula, não é recomendado que vote nos partidos e federações que o apoiam; se gosta, deve votar nesses partidos e federações.

Como veremos, a exemplo, você pode votar em Izaias Régis, mas acabar elegendo Guilherme Uchoa Junior ou Daniel Coelho. 

As eleições 2026 em Garanhuns estão na reta final. Para você que ainda não sabe em quem votar, nem o número dos candidatos a deputado federal de Garanhuns, disponibilizo um pequeno resumo com todos os candidatos a deputado federal de Garanhuns e região, ou que são de interesse para a cidade, e seus sinalizadores (posição política, a quem apoiam para governador e presidente, qual sua relação com o atual governo municipal e chances de ser eleito).

A cidade precisa, mais do que nunca, de deputados para chamar de seus. Os recursos estão aí: mas faltam projetos e patronos que queiram desenvolver Garanhuns.

Vamos aos nomes!

 


- Izaias Régis (PSD) número 5567: o ex-prefeito de Garanhuns é um velho conhecido do eleitor; já ganhou um perfil completo aqui (EXÍLIO TROPICAL: Eleições em Garanhuns: Izaías Régis, o highlander).

 Praticamente não ocorreram eleições, desde os anos 1990, nas quais ele não tenha participado.

Fez duas gestões bem avaliadas como prefeito, e já entra no quarto mandato como deputado estadual. Sempre foi aliado ao ex-senador Armando Monteiro, ligado ao empresariado e, nos seus governos, fez muitas obras viárias em Garanhuns. Tentou trazer alguns investimentos para a cidade, mas sem muito sucesso.

Na sua evolução patrimonial, em 2012, tinha R$ 733.743,78 em bens (fonte: Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais). Atualmente, tem R$ 119.138,81, o que mostra decréscimo patrimonial ao longo da vida política.

O deputado, exercendo mandado na ALEPE, destinou recursos de emendas parlamentares (emendas PIX) ao orçamento estadual para Casinhas, Orobó e Carpina, totalizando R$ 1.255.000,00 (fonte: Painel de Emendas Parlamentares Estaduais – Transferências Especiais – EmendasPIX – Portal da Transparência). Quase todas as emendas PIX, incluindo as não pagas, contemplam esses três municípios, o que se explica pelo fato de não ter muito sentido em disponibilizar dinheiro a prefeitos rivais, como Sivaldo Albino.

A estratégia de Izaias de destinar recursos para essas cidades pode não estar muito bem direcionada, já que, por exemplo, em 2022, 44,09% dos votos para deputado federal foram em Orobó foram para Fernando Filho (União Brasil) (fonte: Apuração da cidade no 1º turno | Eleições 2022). Já Chaparral teve 60% dos votos para deputado estadual; neste ano, Juliana de Chaparral é candidata a deputada federal. Orobó também recebeu, em 2026, R$ 2 milhões da deputada Maria Arraes (fonte: Painel das Emendas Parlamentares Individuais e de Bancada — Tesouro Transparente) e R$ 1.990.000,00 do Pastor Eurico (fonte: Detalhamento de Empenho de Despesa - ID: 200477000012026NE004037 | Portal da Transparência) e possivelmente deve destinar seus menos de 15 mil votos para esses nomes.

Em nome de Izaias, há pelo menos uma emenda para o Recife (fonte: Painel de Emendas Parlamentares Estaduais Por Convênios e Instrumentos Congêneres – Portal da Transparência), no valor de R$ 200.000,00, e outra para Vitória de Santo Antão, no valor de R$ 1.000.000,00, além de Brejão (R$ 329.400,00), Saloá (R$ 329.400,00), Terezinha (R$ 329.400,00), São João (R$ 329.400,00), Calçado (R$ 329.400,00), Jurema (R$ 300.000,00 e R$ 200.000,00), Brejinho (R$ 500.000,00), muitas com impedimento técnico ou pendendo algum saneamento.

Apesar disso, Izaias demonstra direcionar a maior parte de seus recursos para o Agreste Meridional.

Para Garanhuns, constam duas emendas. A primeira, no valor de R$ 200 mil, para “Aquisição de equipamentos, mobiliário especializado e execução de adequações físicas para a implantação de Laboratório de Ensino e Pesquisa na Escola Técnica Estadual Ariano Suassuna” (fonte: Painel de Emendas Parlamentares Estaduais com Execução Direta pelo Estado – Portal da Transparência) está em andamento.

Já a segunda é de R$ 2.000.000,00 (fonte: Painel de Emendas Parlamentares Estaduais Por Convênios e Instrumentos Congêneres – Portal da Transparência), e tem como objeto “Ofertar serviços para a comunidade ajudando ao enfrentamento de demandas reprimidas na aréa de saúde por meio de multirão com carreta intinerante, por intermédio do Instituto vitalis Mais saúde”, mas consta como “emenda remanejada”, ou seja, os recursos foram destinados para outra finalidade e a cidade não recebeu o valor (fonte: Termo: Emenda de Remanejamento - Glossário de Termos Orçamentários - Congresso Nacional).

Na atividade legislativa, Izaias apresentou 11 (onze) projetos de Lei, sendo a maioria deles de caráter mais honorífico, embora alguns tenham grande relevância, como o que “Institui o Programa Pernambucano de Biogás e Biodigestores”, apresentou 234 requerimentos e 317 indicativos. É uma atividade legislativa considerada frágil, embora Izaias tenha exercido a liderança do governo na ALEPE por muito tempo, o que talvez tenha impedido a apresentação de mais projetos de lei.

Nessas eleições, Izaias optou estrategicamente por não enfrentar diretamente Cayo Albino na disputa pelos votos de Garanhuns para deputado estadual. É uma aposta: apesar de o quociente eleitoral para deputado federal ser mais alto, existem mais votos disponíveis, já que a maioria dos candidatos a deputado federal é de fora de Garanhuns e raramente obtém mais de 10 mil votos na cidade - o deputado Felipe Carreras, por exemplo, teve cerca de 9 mil votos em 2022, pouco mais da metade dos 16 mil de Cayo Albino, o que comprova que não há uma vinculação necessária entre ambos. Izaias quer crescer nessa lacuna e, alcançando os 20 mil votos, sonhar com alguma suplência em seu partido.

O problema é que, como são 25 vagas, o quociente eleitoral certamente beirará entre 160 e 200 mil votos, o que daria ao PSD, o partido de Régis, cerca de 3 vagas. Na chapa, competem, em ordem de possibilidade de maior votação, Daniel Coelho, Fernando Monteiro, Célia Sales, Guilherme Uchoa Junior, Izaias, Julia Lossio e Socorro Pimentel. Vale lembrar que o melhor resultado de Izaias foi de 43.367 votos, isso em 2002. Se repetir os 22 mil votos de 2022, ficará, no máximo, na primeira ou segunda suplência, certamente aguardando algum titular ser nomeado secretário de Estado para assumir a vaga.

Os votos em Izaias podem ajudar a eleger os candidatos melhor posicionados nas pesquisas.

Izaias destinou a maior parte dos recursos de que dispunha como parlamentar para a região de Garanhuns e seria peça vital para que a cidade finalmente tivesse um deputado federal baseado nela, depois de décadas após o fim dos mandatos de Cristina Tavares e José Tinoco.

Sinalizadores: 

Posição política: centro-direita;

Governo Raquel Lyra: governista;

Governo Sivaldo Albino: oposicionista;

Governo Lula: situação (apesar disso, seu partido tem como candidato Ronaldo Caiado);

Chance de ser eleito: de medianas a baixas.


 

Fernando Rodolfo (PRD-Solidariedade) – número 2555: originalmente jornalista, ganhou projeção por enfrentar o ex-governador Paulo Câmara na apresentação de programas de TV. Foi demitido, mas capitalizou a insatisfação popular e se tornou deputado federal em 2018, inclusive com muitos votos de Garanhuns, onde ele nasceu, em que pese seja radicado em Caruaru.

Fernando chegou a liderar a oposição em Garanhuns, sendo o padrinho da candidatura de Silvino Duarte em 2020, uma verdadeira tragédia para o município. Em 2022, teve 6.354 votos em Garanhuns, perdendo muitos votos contra os 10.727 que teve em 2018. Nessa ocasião, o eleitor mandou um alerta, não apenas pela escolha errada em bancar Silvino, mas também por não ter disponibilizado os recursos que podia para a cidade.

A análise de suas emendas ao orçamento, ou seja, recursos que efetivamente destinou em 2026, revela R$ 1.500.000,00 para São José da Coroa Grande, R$ 1.000.000,00 para Angelim (fonte: Emendas orçamentárias do deputado Fernando Rodolfo na Câmara dos Deputados - Portal da Câmara dos Deputados), e R$ R$ 4.275.000,00 para a ASSOCIACAO DO DESENVOLVIMENTO RURAL DO AGRESTE, em Garanhuns (fonte: Consulta de Emendas Parlamentares por Favorecido | Portal da Transparência). O deputado também enviou recursos para muitos municípios, como Surubim, Bom Conselho etc., entre 2023 e 2026.

Fernando possui 26 assessores em seu gabinete e apresentou 451 projetos de Lei, requerimentos e indicativos na última legislatura (2023-2026), dos quais se destacam propostas de alteração da Lei de improbidade administrativa, a proposta de assistência jurídica integral e ininterrupta ao policial militar e ao bombeiro militar, o projeto do Auxílio Maria Cecília. Sua atividade legislativa é muito positiva e fértil.

Foi presidente da Comissão de Previdência, Assis. Social, Infância, Adolescência e Família em 2023-2024, o que lhe deu grande destaque nacional.

Para agora, Fernando se distanciou do bolsonarismo ao qual estava associado e, em que pese tenha fincado sua base em Caruaru, ainda tem forte presença em Garanhuns, sendo apoiado por vereadores como Ruber Neto.

Em que pese sua prioridade seja Caruaru, até porque já objetivou ser prefeito de lá, pode ser uma boa opção para o garanhuense.

Sinalizadores: 

Posição política: direita;

Governo Raquel Lyra: governista;

Governo Sivaldo Albino: oposicionista;

Governo Lula: oposição (apoia Flávio Bolsonaro);

Chance de ser eleito: altas.

 

 

Fany Bernal (Podemos) – número 2050: foi vereadora em Garanhuns, entre 2021 e 2024, e originalmente se candidatou com o nome de “Fany das Manas, do PT”, para executar o primeiro mandato coletivo da história de Garanhuns (fonte: Mandato coletivo e feminista de Garanhuns (PE) promete mapear problemas em periferias | Brasil de Fato) ou “Mandata Coletiva”.

Consta que, em 2022, Fanny desobedeceu às ordens da Executiva estadual do PT, que apoiava Danilo Cabral do PSB para governador, e declarou apoio a Marília Arraes, o que motivou a sua expulsão do partido e sua transferência para o PSD, pelo qual foi impedida de vincular sua imagem à do presidente Lula (fonte: Blog do Carlos Eugênio “Perseguida e Atacada”, diz Fany Bernal após ser Impedida de exibir Imagem e usar Voz de Lula em Material de Campanha).

Na Câmara, defendeu a contratação de 50% de artistas locais no Natal Luz (fonte: Câmara Municipal de Garanhuns - PE), e diversas medidas interessantes que não foram para frente.

A vereadora, que continuou exercendo o mandato coletivo sozinha, não conseguiu se reeleger em 2024, quando teve 426 votos, menos da metade dos 918 votos de 2020.

Nessa atual campanha, recebeu R$ 384.957,50 em receitas e já gastou R$ 104.659,42 (fonte: Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais).

É uma boa opção à esquerda, em que pese um pouco desgastada por ter enfrentado o antigo partido mas, principalmente, por ter se oposto ao Prefeito Sivaldo Albino, o que, por si só, já lhe vale toda a minha simpatia.

Sinalizadores: 

Posição política: esquerda;

Governo Raquel Lyra: situação;

Governo Sivaldo Albino: oposicionista;

Governo Lula: situação;

Chance de ser eleita: baixas.

 

 

Felipe Carreras (PSB) – número 4004: é o candidato oficial do Prefeito Sivaldo Albino e faz dobradinha com Cayo Albino, seu mentorado político. Carreras era empresário do setor de eventos antes de se tornar deputado em 2014, com base nos bairros mais ricos de Recife. Em que pese seja do PSB, suas posições e votos são mais à direita, tendo inclusive votado pelo impeachment de Dilma em 2016.

Como deputado, apresentou 746 projetos de Lei, indicativos e requerimentos entre 2023-2026. Possui18 assessores (16 em atividade) em seu gabinete e já gastou 96% de sua cota parlamentar (fonte: Deputado Federal Felipe Carreras - Portal da Câmara dos Deputados)

Foi vice-líder do centrão em 2024, e é muito próximo ao deputado Arthur Lyra.

Carreras certamente é o candidato a deputado mais rico a pisar em Garanhuns e nela pedir votos: possui R$ 31.836.704,20 em bens (fonte: Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais), com uma lista enorme de imóveis, ações, investimentos etc. Arrecadou R$ 2.876.700,00 até agora para a sua campanha, e gastou R$ 2.464.854,50, já tendo pago R$ 1.811.945,78, sendo R$ 392.854,50 só para o facebook.

Como já abordado aqui (fonte: EXÍLIO TROPICAL: A VERDADE SOBRE AS EMENDAS DO DEPUTADO FELIPE CARRERAS PARA GARANHUNS) Carreras destinou 40% das emendas que Garanhuns recebeu entre 2021-2026, mas apenas 9% do total de que dispunha. Ou seja, Garanhuns ficou com os restos de suas emendas, muito inferior aos R$ 134 milhões que o Prefeito disse que o deputado mandou.

É a opção de quem aprova o governo Sivaldo Albino e quer a continuidade do grupo dele à frente da Prefeitura.

Sinalizadores: 

Posição política: centro;

Governo Raquel Lyra: oposicionista;

Governo Sivaldo Albino: situação;

Governo Lula: situação (eventualmente, vota com a oposição);

Chance de ser eleito: altas.

 

 

Fernando Ferro (PT) – número 1313: exerceu 5 mandatos como deputado federal, mas radicou-se no Recife, no qual foi vereador nos anos 1990 e candidato a vereador em 2020, não sendo eleito. Teve 1.115 votos em Garanhuns, do total de 38.943 votos, em 2022. Teve boas ações em prol de Garanhuns, como a articulação pela instalação da UFRPE.

Sinalizadores: 

Posição política: esquerda;

Governo Raquel Lyra: governista;

Governo Sivaldo Albino: oposicionista;

Governo Lula: situação;

Chance de ser eleito: de medianas a baixas.

 

 

Bismarck (Missão) – número 1422: é uma figura nova na política de Garanhuns, já tendo participado das eleições de 2024 como candidato a vereador. Servidor público federal, especialista em licitações, se define como o candidato de Renan Santos na região. Controvérsias a parte, tem bons projetos, principalmente na área de energia renovável, e é totalmente distante da política tradicional de Garanhuns (o que é ótimo). Querendo ou não, é uma opção local para quem quer uma gestão pública mais eficiente e mais desenvolvimento para a cidade.

Sinalizadores: 

Posição política: centro-direita;

Governo Raquel Lyra: governista;

Governo Sivaldo Albino: oposicionista;

Governo Lula: oposição (apoia Renan Santos);

Chance de ser eleito: de medianas a baixas.

 

Esses são os candidatos que possuem relação com Garanhuns. De variadas matizes, alguns bons, outros nem tanto assim, e com uma exceção ou duas, aparentemente empenhados em representar a cidade no Congresso. O fato é que as eleições de 2026 são a antessala de 2028, onde o nome que vai comandar Garanhuns até 2032 vai ser decidido. Ou seja, um voto pode definir os próximos seis anos da cidade, e parte da razão da estagnação de Garanhuns está em ser uma "terra de ninguém", onde forasteiros vêm catar votos e desaparecem por quatro anos. Essa lógica era reforçada por Prefeitos politicamente dependentes de caciques partidários, que impunham apoios a candidatos a deputado federal de fora da cidade, sequer sabiam apontá-la no mapa e raramente enviavam algum recurso.

Daí, perdemos nossos deputados federais para nunca mais os recuperar e, com eles, se foram as indústrias, incentivos fiscais, o desenvolvimento como um todo. Entramos na era das reeleições, das obras de sonrisal e dos prefeitos processados e com os bens congelados após deixar os cargos.

Por isso, o primeiro passo para libertar Garanhuns do marasmo é eleger um deputado federal afinado com a terra, seja de qual posição política for. Ele ou ela vai liderar um novo momento na história política de Garanhuns, que pode reassumir o protagonismo e o desenvolvimento que tinha no passado. 

Faço votos de que Garanhuns escolha os políticos da terra dessa vez. Sigamos!

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

NO DIVÃ COM SIVALDO ALBINO - OU DO PORQUÊ GARANHUNS NÃO CRESCE


 

Não é de hoje que a política de Garanhuns é dominada pelo Prefeito Sivaldo Albino e sua família. Mas, a cada dois anos, eles precisam passar por um “ritual chato”: pedir votos ao povo. E, justamente nessas oportunidades, fazem todo mundo acreditar que a cidade está bem – “voando”, dizem – e que não há problemas a falar; só de “projetos”, “verbas” e “parcerias”. É como aquele casamento em crise que brilha nas redes sociais, mas na intimidade do lar é uma desgraça.

Garanhuns vive, assim, uma relação tensa com seu gestor: os problemas são graves, mas varridos, especialmente a cada biênio, para debaixo do tapete. Falar dos problemas é tabu. A realidade dista da imagem; a emoção é artificial; a beleza é de momento. Essa distância entre aparência e realidade não traz outra conclusão, a não ser de que tanto o gestor quanto a sua cidade precisam de uma terapia. O gestor não é sincero sobre sua gestão, a cidade sabe, e ambos fingem estar tudo bem.

E, no divã político onde Sivaldo Albino, sua família e o povo de Garanhuns devem se abrir, uma conversa séria sobre “trabalho” tem que estrelar a primeira sessão.  

Em que pese as imagens oficiais photoshopadas de obras a todo vapor e “ações” estrelem centenas de publicações pagas ou não pagas para fazer os cidadãos de Garanhuns saírem de casa para votar no filho do Prefeito e no deputado de fora, será que o governo municipal e o grupo político no poder vêm de fato trabalhando pela cidade?

Comecemos com os privilégios. Sivaldo não apenas criou um auxílio-alimentação para si mesmo, o vice e secretários, mas brigou por ele na justiça. Anteriormente, Sivaldo propôs e aprovou a Lei nº 5.312/2024, que criou o "benefício social". Longe de ser um programa social para os mais pobres, essas letras num papel criaram, em favor do Prefeito e vice, férias remuneradas acrescidas de 1/3 a cada doze meses de “trabalho” (veja aqui).

Mas os privilégios não se resumem ao próprio Prefeito. Generoso, ele compartilha a fortuna do poder (fortuna também significa “sorte”) com seus familiares. No mínimo, são oito parentes exercendo cargos de secretariado, gestão e cargos comuns da máquina pública, ao custo de R$ 1.496.750,96 anuais (fonte: confira aqui).

Vale dizer que, se Cayo Albino for eleito deputado estadual, junto a esse quase milhão e meio, se somarão R$ 2.732.419,08 anuais só em assessores, R$ 720.879,24 anuais em salários do próprio Cayo e a bagatela de R$ 2.883.516,96 de cota parlamentar em 4 anos de mandato (fonte). Que luxo!

Depois dos privilégios, vamos ao "trabalho" em si do grupo no poder.

E vemos muitas manifestações do Prefeito e de aliados sobre como é difícil conseguir recursos para Garanhuns. Mas será que, uma vez que esses recursos apareçam, são de fato usados pela Prefeitura?

Vamos ao caso de um recurso enviado pelo Deputado estadual Izaias Régis.

O político tem direito a cerca de R$ 8.047.000,00 em emendas ao orçamento estadual; ou seja, ele pode enviar esse valor para obra, projetos e ações no Estado inteiro. Uma dessas modalidades de envio do dinheiro se chama “emenda pix”, onde basicamente o dinheiro cai na conta da Prefeitura ou entidade pública que fica responsável de gastar o valor em um projeto.

Nesse ano de 2026, Izaías fez uso de uma “emenda pix” para mandar recursos para Garanhuns no valor de R$ 1.000.000,00 (fonte: Painel de Emendas Parlamentares Estaduais – Transferências Especiais – EmendasPIX – Portal da Transparência). Você pode pensar que Sivaldo ficou feliz em esperar receber um milhão de reais para gastar – como se tivesse tirado na Lotofácil ou no bicho.

Talvez não tenha ficado feliz, já que o município, até hoje, não recebeu o dinheiro, por culpa do Prefeito e de sua gestão.

Ora, o valor não foi creditado junto ao município, segundo o site da ALEPE, por “NÃO APRESENTAÇÃO DE PLANO DE TRABALHO OU APRESENTAÇÃO FORA DOS PRAZOS PREVISTOS” (g.n.).

Explicando: a prefeitura, por meio do Prefeito Sivaldo Albino, recebeu um aviso de que tinha R$ 1 milhão disponíveis para transferência imediata, com o fim de investir em obras, mas não apresentou o Projeto para executar os valores (dizer qual obra iria fazer, em quanto tempo, qual a execução etc.):

Fonte (SEI/GOVPE - 93370405 - GOVPE - Ofício).

Veja aqui a assinatura do prefeito, onde ele se comprometeu a seguir uma série de regras simples para que o município recebesse o dinheiro (veja aqui):

Como o município não enviou absolutamente nada a não ser a aceitação para receber o valor, o dinheiro está travado e talvez nunca chegue aos cofres municipais. Afinal, porque receber valores mandados pelo líder da oposição, certo? As ruas esburacadas que aguentem o deputado Carreras mandar o que sobrar das emendas dele.

Daí, podemos imaginar: o quanto de recursos Garanhuns não perdeu, simplesmente porque o Prefeito e sua equipe não fizeram o projeto para executar uma obra? Só podemos especular, mas eu apostaria que foi muito dinheiro!

Sabe aquele apostador da Lotofácil que ganhou o milhão, não foi pegar a grana e perdeu o prazo? Pois é, se Garanhuns fosse uma pessoa, seria justamente esse cara que ganha, mas não leva!

E a perda desse milhão nos conduz à reflexões ainda mais interessantes.

Ainda falando em trabalho, nossa terapia continua exatamente com isso: quem trabalha para o município sob o comando dos Albino.

Esse é o perfil dos servidores e trabalhadores da Prefeitura:




Fonte: Garanhuns - TomeConta.

Atente-se: 66,87% dos trabalhadores públicos são contratados ou comissionados. Todos dependem da vontade do Prefeito para continuar em suas funções e são submetidos à constantes renovações de contrato. Basta notar que a maioria tem como data de ingresso os primeiros meses de 2026.

São trabalhadores que laboram sob medo de perseguição e obrigados a servir ao poder; muitos sonham em se tornar concursados, o que, hoje, é um sonho distante.

Já outras cidades, como Caruaru, tem apenas 36,44% de contratados na folha de pessoal (fonte: Caruaru - TomeConta).

Ou seja, cidades modernas tem baixo índice de contratados e comissionados; cidades arcaicas tem índices altos. Isso não significa que a mão de obra da prefeitura de Garanhuns é menos qualificada, apenas muito mais dependente da vontade do gestor – e acabam se convertendo em militância política muitas vezes involuntária, principalmente em uma cidade de poucas oportunidades na iniciativa privada. Ou seja, daí para o burnout, é um pulo; e isso sem falar nos cargos desnecessários (que são muitos, diga-se!).

E vamos continuar a falar de trabalho.

Sabemos que uma Prefeitura, principalmente na realidade do interior do Nordeste, precisa correr para trazer investimentos para seu território. Muitas fazem isso usando incentivos fiscais, ou seja, descontos nos impostos. A empresa faz as contas e percebe que, caso se instale em um município e não em outro, vai aumentar a sua margem de lucro por conta da diminuição de impostos. E, se o município topar, gera empregos e movimenta a economia local.

Aí entra outro instrumento de desenvolvimento municipal, a política tributária, que também é mal utilizada. Garanhuns concede isenções para empreendimentos específicos, como energia solar (fonte: 64-20250529182159.pdf) e serviços de programação e informática, que pagam 2% a título de Imposto sobre Serviços (fonte: Lista de Serviços (ISSQN) v.4).

E os últimos incentivos fiscais registrados na cidade (fonte: Instagram) foram a distribuidora de produtos da Nestlé e uma empresa de brokerage. Poucos empregos, nenhuma indústria.

Aí perguntamos: onde estão os grandes empreendimentos em Garanhuns, fora grandes atacadões e esses exemplos citados?

Eu respondo: estão bem longe de Garanhuns, onde não tem incentivo fiscal!

E aí perguntamos: será que, pelo menos, a Prefeitura aplica seus recursos na cidade? Será que contrata empresas de Garanhuns para executarem obras na cidade?

De início, veja-se que a Receita Total Arrecadada na cidade foi de R$ 640.033.677,84, em 2025. No mesmo ano, foram gastos R$ 689.674.586,94. Já começamos a dizer que a cidade gasta mais do que arrecada, o que é péssimo para quem quer ter uma rotina de investimentos saudável e ainda mais péssimo quando você tem R$ 256 milhões de empréstimos a pagar até 2034 (fonte)!

Ou seja, se gastamos menos do que arrecadamos, deveríamos pelo menos gastar aqui, correto?

Não muito.

Por exemplo, a empresa B L CONSTRUTORA E SERVICOS LTDA recebeu da Prefeitura de Garanhuns, em 2026, R$ 3.964.770,34. Apesar disso, está sediada em Saloá (veja aqui).

Já a CASSIANO FERNANDE DE LIRA CONSTRUTORA LTDA recebeu, em 2026, R$ 4.528.560,25, e está sediada em Igarassu (fonte); contra ela pesam denúncias de trabalho escravo (fonte: Instagram).

A Cinzel Engenharia Ltda, que está em recuperação judicial (quase falida, diga-se), foi contratada para construir o hospital municipal, e fica sediada no Recife (fonte: Cinzel Engenharia Ltda). Ela irá receber R$ 11.912.127,36 apenas em 2026 e aparece em 1.690 processos judiciais, a maioria de cobrança contra ela, sendo 854 desses processos no estado de Estado de Pernambuco.

Esses foram alguns dos maiores contratos mantidos pela Prefeitura, e o padrão se repete: empresas de fora, enrascadas em escândalos ou em quebradeira. E não contamos os cachês milionários dos artistas que, quase todo mês, vem se apresentar em Garanhuns, sendo o maior exemplo o FIG 2026, no qual R$ 15.348.800,00 foram gastos quase que integralmente com artistas de fora (fonte). É, Garanhuns transfere renda.. mas para fora da cidade! 

Só para matéria de comparação, em Caruaru, dos maiores fornecedores privados, apenas dois (a SOLSERV SERVICOS LTDA e a  SHALON SERVICOS DE CONSERVACAO LTDA) são de fora da cidade (fonte: Caruaru - TomeConta)

Assim, a análise dos gastos de Garanhuns demonstra a visão (ou falta de) dos gestores da cidade: há muitas despesas com artistas e pequenos fornecedores (a maioria domiciliados fora da cidade, contratados para os eventos de massa mensais) para eventos turísticos e alguns escritórios de advocacia (localizados fora da cidade, obviamente, e um deles teve o contrato suspenso por conta de uma ação civil pública, já que se identificou que esse escritório defendia quem postava fake news contra a governadora, patrocinados pelo PSB). Os empregos, recursos e até impostos ficam retidos fora da cidade.

Ou seja, o suado imposto do trabalhador de Garanhuns vai para a Prefeitura e vira renda nas mãos de empresas de fora!

Por outro lado, de todos os contratos que analisei, não se verificou gastos estruturantes (qualificação da mão de obra local, instalação de serviços de tecnologia para a população, obras viárias importantes, doação de terrenos para a instalação de indústrias etc.), o que demonstra que, apesar de o município ter elevado bastante a sua receita nos últimos dois anos, ela não foi aplicada em benefícios populares.

Vamos continuar falando de emprego e trabalho.

Se a Prefeitura não dá incentivo para grandes investimentos, se gasta seus recursos com empresas de fora, como esperar que gere bons empregos para o povo?

Veja os indicadores de emprego de Garanhuns, entre janeiro de 2024 até a presente data (Microsoft Power BI):


Percebeu um padrão?

Depois da recuperação da pandemia em 2024, Garanhuns amarga pouca geração de empregos, e também pouca perda. A economia está estagnada, e esses números, principalmente dos últimos meses, demonstram que a economia municipal parou no ar.

A redução da atividade econômica contrasta com o endividamento público, gastos com emendas e verbas federais transferidas pela União. Atualmente, em setembro de 2026, entre demissões e admissões, Garanhuns tem 426 empregos de saldo, o que é irrisório e reforça o diagnóstico de estagnação. Ou seja, não adianta gastar rios de dinheiro se os fornecedores e empresas são de fora e se os turistas gastam pouco – e, principalmente, se a cidade não tem indústrias ou atividades produtivas de relevo.

Outro dado sobre o emprego em Garanhuns mostra o seguinte (fonte: Microsoft Power BI):

O indicador “Vr. Relativa - variação relativa” demonstra queda continuada da agricultura, construção e comércio, e altas relativas da indústria e serviços, com destaque para o último setor. Se incluem aí trabalhadores dos aplicativos, empreendedores e todos os que fazem um corre para pagar suas contas.

Ou seja, é uma cidade de baixas oportunidades, grande informalidade e ausente de grandes investimentos, já que 57 empregos de saldo na indústria é um resultado muito aquém do potencial da cidade. E isso porque as indústrias que apresentam impressionantes 2.549 empregos são alimentares, pequenos estabelecimentos de artesanato e quase nenhum empreendimento relevante.

Veja que a cidade já foi o centro da bacia leiteira do Estado, mas, em 2026, tem apenas um emprego de saldo na agropecuária (fonte: Microsoft Power BI).

Vamos de comparação?

O saldo de empregos de Caruaru, até setembro de 2026, é de 3.528 empregos (fonte: Microsoft Power BI):

Note o emprego industrial: 16.808 empregados, em uma cidade que possui pouco mais que o dobro de habitantes que Garanhuns, uma diferença acima de 600%!

Isso mostra o seguinte: Caruaru incentiva o emprego industrial, gasta seus recursos na própria cidade e dá incentivos fiscais para grandes empreendimentos. E cresce, e gera empregos; Garanhuns financia vagas de emprego fora do município, desperdiça recursos, se endivida e dá incentivos fiscais para empreendimentos que não geram demanda agregada.

Mas recursos e empregos são apenas dois elementos que precisam ser equacionados dentro de um planejamento.

E como os municípios brasileiros se planejam?

Através de uma Lei chamada “Plano Diretor” (Lei Municipal nº 3.620/2008), que é muito citada em Garanhuns por supostamente impedir a construção de prédios altos.

Ocorre que o Plano diretor da cidade não é atualizado há 8 anos, e já há quase três anos o Ministério Público processou a prefeitura por conta do desleixo (fonte: Instagram), e só em 2026 se abriu uma licitação para contratar uma empresa para tal tarefa (fonte: V&C: Prefeitura de Garanhuns abre licitação de R$ 1.635.800,00 para revisão do Plano Diretor).

Enquanto isso, sem Plano Diretor, Garanhuns cresce de forma desordenada, sem direção e sem juízo, e perde investimentos federais e estaduais importantes por não ter atualizado uma peça básica de planejamento urbano.

Ademais, sem um Plano Diretor atualizado, a cidade perde receita tributária e não consegue apresentar bons projetos (se é que apresenta) para receber recursos via Convênio, repasse ou projetos do governo federal, estando na linha perigosa na qual estão 136 municípios que sequer possuem Plano Diretor (fonte: Falta de plano diretor deixa 136 municípios fora da lei no país).

E, pimba!, voltamos à emenda do deputado Izaias Régis, que não foi executada porque o município não tinha projeto. E não apenas nesse caso, mas o município não tem projeto de desenvolvimento, de incentivos fiscais, de gastos estruturantes, não tem sequer um Plano Diretor atualizado!

E aí voltamos ao divã.

Surge a despreocupada figura do Prefeito de Garanhuns que, após seis anos no poder, sabe de todo esse quadro que conversamos, mas prefere fingir que está tudo bem. O povo sabe que não está; afinal, a carteira de trabalho sem anotações e a conta bancária no vermelho mostram isso; no celular, mensagens de familiares, amigos e conhecidos que foram para outras cidades e Estados do país sempre dizem: Garanhuns não tem futuro...

E tudo se resume a isso. Quando as duas partes de uma relação sabem que não tem futuro, como devem resolver seus problemas?

Garanhuns precisa entender que vive uma relação abusiva com seus gestores: paga uma montanha de impostos, tem empregos de baixa renda, não vê futuro para si, enquanto a outra parte da relação somente se beneficia. Uma das partes trabalha, mas a outra, não. Nem mesmo quando ganha um milhão e meio de reais para si e para a sua família!

As vezes, a terapia indica um divórcio. O sorrisão despreocupado do Prefeito indica uma pessoa que nunca pensaria nessa palavra. E esse divórcio vem das urnas, quando elas, um dia, finalmente lhe apontarem a porta de saída da Prefeitura.

Um dia, Garanhuns irá se libertar desse relacionamento abusivo, revisará suas políticas, fará um novo Plano Diretor, terá grandes indústrias em seu território, gerará empregos de alta e média renda. Isso é fatal: tendo todas as condições para se desenvolver, um dia esse parto alcançará seu êxtase.

Crer no futuro, apesar da modorra cinzenta do presente, e crer na força do trabalho como transformador da realidade; e se o Prefeito não o quer, 140 mil almas estão dispostas a, um dia, lhe dizer o contrário.

Fim da sessão!

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

RAQUEL LYRA OU PSB DE PAULO CÂMARA E JOÃO CAMPOS: QUEM FEZ MAIS POR GARANHUNS?

Resumo: Raquel Lyra, governadora de Pernambuco, Garanhuns e as eleições 2026: análise dos investimentos estaduais, obras, realizações e debates políticos envolvendo a gestão estadual, o PSB e João Campos. O texto apresenta dados sobre recursos aplicados, infraestrutura, saúde, segurança, educação e o cenário político de Garanhuns, reunindo informações e argumentos dos diferentes grupos que discutem o futuro da cidade nas próximas eleições.


Ao andar por Garanhuns, o que se vê é o predomínio das bandeiras amarelas com retoques de vermelho. Afinal, em qualquer lugar parece existir alguém distribuindo material dos deputados Cayo Albino e Felipe Carreras, sempre acompanhados do candidato a governador João Campos.

A campanha, na cidade, é conduzida pelo prefeito Sivaldo Albino, para quem a governadora Raquel Lyra, candidata à reeleição, foi responsável por “acabar” com Garanhuns e “abandonar” a cidade.

É inegável que a gestão de Raquel cometeu erros em relação à Garanhuns, sendo o mais notável a frágil execução e organização do Festival de Inverno de 2023, o que motivou ao Prefeito a tomar de assalto a organização do evento – um evento que ficou conhecido como a municipalização do FIG. Voltaremos a esse tema logo mais...

O fato é que a acusação das hostes do PSB é a de que o governo estadual abandonou Garanhuns. Raquel e seus apoiadores, dentre eles o deputado Izaias Régis, se defendem afirmando que Garanhuns recebeu R$ 198,1 milhões de investimento estadual [1].

A propaganda oficial, conduzida por blogs e páginas afinadas com Raquel, informa que o governo estadual está erguendo a nova Maternidade de Garanhuns, que estaria 64,1 % pronta e com previsão de inauguração em dezembro de 2026 e o Hospital Mestre Dominguinhos, ainda em fase inicial.

Informam, também, a construção de duas creches e da nova sede do Complexo de Polícia Científica (CPC), com previsão de entrega para dezembro de 2026.

Listam, também, a duplicação da BR-423, a recuperação do sistema de águas, a recuperação da barragem de Pau Ferro, o benefício a mil famílias com o programa “morar bem Pernambuco”, a reforma do Dom Moura e da UPAE.

Quem está errado e quem acertou?

De início, é inegável que a duplicação da BR finalmente saiu do papel, mas não se encontram dados sobre recuperação em sistema de águas e da Barragem do Pau Ferro (que fica em Quipapá). O Programa Morar Bem beneficiou famílias em Garanhuns, mas não estão disponíveis números exatos de quantas foram beneficiadas, apesar de ser possível identificar 15 Conjuntos Habitacionais participantes na cidade[2], em valores que vão de R$ 157 mil a 225 mil; há a citação de que, pelo menos, estão previstas 1.580 unidades residenciais só na cidade.

Não há dúvidas de que, apesar dos valores um pouco salgados das habitações, o crônico problema da casa própria de Garanhuns, abastecido pela especulação imobiliária, foi atacado diretamente.

Mas e quanto às obras em si? Quem fez mais e quem fez menos: o PSB, com Paulo Câmara (2019-2022) ou Raquel Lyra (2023-2026)?


De maneira geral, em todo o Estado e em 4 anos de gestão (2019-2022), o PSB investiu R$ 2.682.719.089,22 em obras[3] (gráfico 1):


                                                                                                   2019              2022                        2026

O gráfico acima demonstra que o PSB arrochou os gastos com obras no Estado, aumentando-os de forma significativa no ano de 2022, com o fim de eleger o candidato da situação, o sr. Danilo Cabral. Já o atual governo, depois de um corte no valor das obras depois de 2022, passou a aumentar os investimentos de forma constante em todos os anos, até passar do valor investido em 2022.

Especialmente em Garanhuns, no ano de 2022, o governo do PSB tinha apenas duas obras ativas na cidade:


Os valores investidos eram: R$ 693.937,47 (ampliação do Hospital Dom Moura) e R$ 6.788.691,52 em obras de requalificação do Aeroporto. No total de 4 anos (2019-2022), o PSB de Paulo Câmara investiu em Garanhuns R$ 10.351.789,54.



Vamos para os números de Raquel Lyra.

De maneira geral, até setembro de 2026, o atual governo investiu R$ 5.242.617.868,58 em obras por todo o Estado, um salto de 95,41%.

Especialmente, graças às melhorias de transparência, conseguimos saber com exatidão o trabalho de Raquel em Garanhuns[4]:


 

Quanto a Garanhuns, entre 2023 e agosto de 2026, o governo de Raquel Lyra investiu R$ 38.522.021,35, um aumento de 272,13% em relação aos 4 anos completos do PSB.

A análise do gráfico 1 mostra que o investimento da atual gestão não é eleitoreiro e é constante ao longo do mandato, dentro de um planejamento maior. Raquel retomou grandes obras (como a duplicação da BR 423), o arco Metropolitano do Recife, a Transnordestina e a requalificação de milhares de km de estradas pelo interior. As mercadorias, as pessoas e as ideias chegam mais rápido de uma ponta a outra do Estado com ela e isso gera crescimento econômico.

Para Garanhuns, em especial, não há como negar: dois hospitais estão sendo erguidos, sendo que um deles (a maternidade) já se aproxima dos 80% de conclusão. Já a conquista do Complexo Científico da Polícia Civil retira Garanhuns de uma humilhação histórica, não tendo mais que enviar seus falecidos para o IML de Caruaru, e a construção de moradias populares e financiamento ataca o crônico problema da especulação imobiliária que afeta sobretudo os mais pobres.

Mas não apenas com obras Raquel beneficiou Garanhuns.

Em relação à segurança, Raquel aumentou em 38,57% o número de viaturas no Estado inteiro, inclusive no 9º BPM de Garanhuns[5].

Ainda sobre a segurança, em 2022, Garanhuns contou com 65 mortes violentas intencionais, um aumento de 27,45% em relação a 2019, início do mandato de Paulo Câmara[6]; em 2025, último ano com os dados consolidados, teve 22 mortes[7]. A queda de mortes foi de 66,15%. Basta lembrar que, em 2022, a taxa de homicídios de Pernambuco era de 35,3 mortes a cada 100 mil habitantes (Dados aqui); por esse método, a taxa de homicídios de Garanhuns em 2022 seria 46,4 mortes, próxima a de países em guerra e das cidades e Estados mais violentos do Brasil à época (Bahia, Amazonas etc.). 

Em relação à saúde e educação, Raquel, só em 2023, nomeou 4,3 mil servidores concursados[8] e, só a título de exemplo, selecionou 108 profissionais da saúde em uma única convocação em 2024[9]. Em 2025, foram 4.739 convocados em Seleção[10].

E vamos a ele, o Festival de Inverno de Garanhuns.

Raquel foi acusada de ter esnobado o FIG, bem como de planejar criar um evento rival: o velho Circuito do Frio de Jarbas Vasconcelos.

O fato é que, em 2023, o valor que a governadora mandou investir no FIG não passou dos R$ 11,2 milhões de reais[11]. Isso levou à “municipalização” do FIG, onde a Prefeitura passou a organizar o evento antes gerido pela FUNDARPE, injetando praticamente o dobro de recursos do que em 2023.

 A percepção do povo de Garanhuns, no entanto, foi de que a demanda por serviços caiu quase 50% já entre 2023 e 2024[12] o que afetou muito a percepção negativa sobre o FIG 2025. Ou seja, donos de bares, restaurantes e hotéis, além dos comerciantes em geral, perceberam que o perfil do turista mudou: saiu aquele que se hospedava por dias na cidade para vir, em seu lugar, o excursionista, aquele turista do “bate e volta”, que, em 2024, já eram 44,95% do total de visitantes.

Em que pese a Prefeitura alegue que 59% dos turistas afirmaram ter passado mais de três dias no evento em 2025, esse percentual (mesmo se o considerarmos inflado) é uma queda drástica diante dos 87% que passavam mais de um dia na cidade hospedados em 2022 e 2023, quando o evento era organizado pela FUNDARPE. A queda dos turistas hospedados – os que pagam diárias de hotéis, almoçam, jantam e compram lembrancinhas – e sua substituição pelos excursionistas decorre da mudança do perfil do evento, mais voltado aos shows da Praça e menos aos polos descentralizados, que perderam a programação diária e cultural que sempre foi a marca do evento.

Ou seja, quando o Estado organizava o FIG, com todos os problemas que existiam, 87% dos turistas passavam mais de um dia hospedados na cidade e demanda – e o faturamento, claro – do comércio e serviços era 50% maior.

Não há, pois, problema maior em se optar por um ou outro candidato a governador, mas não se pode negar os números e os fatos: Raquel aumentou em  272,13% os valores investidos em obras na cidade; em 2022, tínhamos apenas duas obras estaduais em curso, enquanto em 2026 temos 7, um aumento de 250%; a última unidade de saúde estadual foi construída e inaugurada em 2013 (UPAE), enquanto atualmente estão em construção uma Maternidade e um Hospital Geral; milhares de servidores e contratados foram convocados para assumir postos na Saúde e Educação; no atual governo, o número de mortes violentas intencionais em Garanhuns caiu 66,15%; com a atual gestão, 87% dos turistas do FIG passavam mais de um dia na cidade, enquanto hoje são 59% (se você acreditar nos dados da Prefeitura!).

Raquel foi a governadora que mais obras fez e mais investiu em toda a história de Garanhuns. Os números são claros e inquestionáveis. É ela quem está tirando a duplicação da BR do papel, junto com o presidente Lula.



Não há dúvidas sobre quem mais trabalhou e beneficiou Garanhuns, mas a decisão sobre se o jeito de governar da candidata Raquel deve ou parar cabe ao eleitor.

Veja-se que o aumento dos investimentos e redução de indicadores de violência em Garanhuns está dentro de um projeto maior de desenvolvimento do Estado que, ao contrário dos surtos de crescimento/queda econômicos que o PSB gerava em suas gestões, possui sustentabilidade e chega igualmente à maioria das regiões do Estado, não ficando concentrado em ilhas de riqueza próximo ao litoral.

E é evidente que os investimentos estão longe do necessário para desenvolver a cidade, mas eles são justamente o que Garanhuns mais precisa no momento: um novo começo.

Assim, Garanhuns deve decidir se prefere que a gestão que tinha apenas duas obras ativas na cidade e era campeã de assassinatos deve voltar a governar, e se os investimentos serão aplicados todos no litoral ou se beneficiarão a nossa população esquecida.

É embarcar no futuro ou voltar para o passado. Não há meios termos. 




[6] “O MVI é um indicador constituído pelos crimes de Homicídio Doloso, Latrocínio, Feminicídio, Lesão Corporal Seguida de Morte, Morte por Intervenção Legal de Agente do Estado, Infanticídio, Extorsão Qualificada pela Morte, Extorsão Mediante Sequestro com Resultado Morte, Estupro com Resultado Morte, Estupro de Vulnerável com Resultado Morte e Maus-Tratos com Resultado Morte.” Fonte: https://www.sds.pe.gov.br/estatisticas/indicadores-criminais/mortes-violentas-intencionais-mvi.