sábado, 26 de setembro de 2026

A VERDADE SOBRE AS EMENDAS DO DEPUTADO CARRERAS

Alerta de IA

Vem sendo constante a afirmação, repetida há uns 5 anos, de que Felipe Augusto Carreras, o deputado federal apoiado pelo Prefeito Sivaldo, mandou “n” milhões para a cidade. Relatos deram conta de que o deputado, que dizem ter domicílio real no Rio de Janeiro, chegou a enviar mais de R$ 100 milhões para Garanhuns por meio de emendas ao orçamento federal, e que essa fortuna foi aplicada em calçamentos, praças e demais obras de relevo.

Consideremos, pois, apenas as emendas individuais, aquelas que cada deputado possui em nome próprio, e não as emendas de bancada, que pertencem a todos os deputados e são repartidas por eles como uma pizza.

Vamos começar pelo geral: Felipe Carreras, dentre 2021 e agosto de 2026, empenhou e promoveu o pagamento de R$ 166.523.179,14 a título de emendas no Estado inteiro[1]. O valor impressionante foi dividido por dezenas de municípios, essencialmente nos quais o deputado foi votado.

Desse total, Garanhuns recebeu R$ 15.412.020,00[2] entre janeiro de 2021 e agosto de 2026, ou 9,25% do total disponível para o deputado “gastar” – considerando apenas as emendas efetivamente pagas. Esse percentual é um pouco menor do que a participação dos votos garanhuenses na votação do nobre deputado: em 2022, 12,9% dos votos dele vieram de Garanhuns, ou 9.878 no universo total de 76.528 votos, o que mostra uma certa justiça na distribuição de recursos por parte do deputado.

Se considerarmos que, entre 2021 e 2026, Garanhuns recebeu o valor total de R$ 38.060.892,05 em emendas, os 15 milhões do deputado chegam a 40% do total recebido pela cidade. Mas, para efeito de comparação, mesmo período, Caruaru recebeu R$ 88.459.527,90, Belo Jardim R$ 42.037.920,68, Serra Talhada R$ 65.352.351,30 e Camaragibe R$ 46.239.633,38. Já Brejão, R$ 32.298.346,00, também no mesmo período.

Qual a diferença entre Garanhuns e essas cidades? Por que elas receberam mais, mesmo sendo menores, de tamanho equivalente ou até duas vezes maior (Caruaru)? Como uma cidade do porte de Brejão, que mal tem 12 mil eleitores e não possui um deputado federal, pode receber quase o mesmo patamar de recursos do que uma cidade dez vezes maior como Garanhuns?

Aqui entra a explicação para o atual momento de desorganização institucional que estamos vivendo. O fato é que a porteira da gastança do orçamento secreto está aberta e quem se dispõe a torrar recursos públicos recebe mais emendas parlamentares; quem tem força política e articulação também consegue se sair melhor captando recursos com deputados sedentos de votos. Daí o deputado Carreras estar aplicando 90% de suas emendas fora de Garanhuns, em cidades que estão melhor articuladas politicamente, possuem projetos melhores ou simplesmente não tem escrúpulos em gastar sem pensar no amanhã.

Em resumo: todos os municípios estão conseguindo a sua “boquinha” de emendas federais, e, quer quisesse, quer não quisesse, algo sobraria para uma cidade do porte de Garanhuns. O fato de receber menos, proporcionalmente, que cidades dez vezes menores só demonstra o quão grave é, para Garanhuns, não ter um representante legitimamente seu na Câmara Federal.

Sim, ter um deputado em Brasília para chamar de seu faz toda a diferença.

É o que podemos conferir no caso de Vitória de Santo Antão, onde a deputada federal local Iza Arruda destinou, em 2025 (fonte: Painel das Emendas Parlamentares Individuais e de Bancada — Tesouro Transparente), R$ 11.197.641,00 em recursos. Isso não a impediu de destinar R$ 2.900.000,00 para Garanhuns, ainda em 2025, apesar de só ter tido 185 votos na cidade (fonte: Detalhamento de Empenho de Despesa - ID: 257001000012025NE463540 | Portal da Transparência); Garanhuns só recebeu R$ 7.977.042,00 naquele ano[3]. A deputada ganhou de muito longe do deputado Felipe Carreras, que, no mesmo ano, destinou apenas R$ 1.589.000,00 para a cidade.

Ou seja, em 2025, Felipe Carreras foi o responsável por apenas 19% das emendas recebidas por Garanhuns. Já Iza Arruda assinou 36% dos recursos recebidos pela cidade.

Esse dado revela um fluxo curioso nas emendas do deputado Carreras: enquanto em 2024, ano de eleições municipais, chegou a enviar R$ 2.571.585,00, 60% do total recebido de R$ 4.218.694,97 naquele ano, no ano seguinte (não-eleitoral) mandou 40% menos.

O ano de 2025 revelou que não apenas o deputado Carreras e Iza Arruda mandavam dinheiro para Garanhuns, mas entraram na lista Fernando Monteiro (R$ 150 mil), Teresa Leitão (R$ 100 mil) e o Pastor Eurico (R$ 792 mil) (fonte: https://www.tesourotransparente.gov.br/consultas/painel-das-emendas-parlamentares-individuais-e-de-bancada).

É no mesmo ano de 2025 que identificamos o padrão de destinação de recursos por parte de Carreras: R$ 500.000,00 para “capacitar micro e pequenos empreendedores” (fonte: https://portaldatransparencia.gov.br/despesas/empenho/690011000012024NE000011?ordenarPor=fase&direcao=asc) e R$ 1.089.000,00 a título de “emenda pix”, sem destinação específica.  

Em suma: é dinheiro que não se destina a nenhum projeto estruturado que possa realmente gerar frutos para a população.

Por falar nisso, neste ano corrente de 2026, Garanhuns conta com apenas R$ 4.299.888,00 em emendas, dos quais R$ 1.499.888,00, ou 34%, são obra de Carreras, 23% do Senador Humberto Costa e o restante constitui uma emenda de bancada. Nosso exemplo de comparação, Vitória de Santo Antão, já soma R$ 19.939.459,00, sendo pelo menos R$ 9.620.465,00 apenas de autoria da deputada Iza Arruda.

Mas mesmo sem um deputado federal, outras cidades se saem melhor: Belo Jardim abocanhou R$ 14.099,463,13 e a pequena Brejão, R$ 6.320.454,00.

Tantos dados nos permitem tomar as seguintes conclusões: Felipe Carreras destinou muito menos recursos a Garanhuns do que se diz por aí (15 milhões, menos de 1/10 do total), costuma esquecer a cidade em anos não eleitorais (com queda no volume de recursos de cerca de 40% em 2025) e mandou menos recursos para Garanhuns do que uma deputada que teve 185 votos na cidade (2025), mas no corrente ano é o responsável por mais de 1/3 das emendas que o município recebeu. Seus recursos não costumam estar vinculados a nenhum projeto ou ação mais concreta e planejada, destinando-se a programas genéricos ou para custear serviços de saúde. Pode-se dizer que, com maior ou menos grau de certeza, os 15 milhões que enviou para a cidade compuseram volume importante do total que Garanhuns recebeu, mas sem maiores garantias de que reverteu em algo benéfico para a população.

Sua atuação mostra como é importante para a cidade não importar um deputado de fora, dividindo um mesmo representante com o Estado inteiro, já que Carreras tem sua base eleitoral na cidade do Recife (de onde vieram metade dos seus votos) e sai a caça de votos esparsos no Estado inteiro. Garanhuns deveria ter um deputado para chamar de seu, em articulação com municípios que a rodeiam e formam um colégio eleitoral que supera 400 mil eleitores. Vitória de Santo Antão, com apenas 4 mil eleitores a mais que Garanhuns, tem a sua representante, e os números mostram o quanto essa opção dos eleitores de lá é acertada.

Assim, parte dos problemas atuais de Garanhuns – estagnação econômica, ausência de oportunidades, baixos salários, especulação imobiliária – vem de escolhas eleitorais que sempre são guiadas por interesses externos e sem considerar os problemas reais da cidade; o voto não representa apenas digitar números numa urna, mas sim escolher quem vai gerir milhões em recursos públicos e como vai fazê-lo. Votar em um deputado de fora até pode garantir umas emendas, mas está longe de garantir o volume de recursos e projetos que podem tirar a cidade do marasmo e pô-la na rota do desenvolvimento – para isso, só um deputado da terra, com projeto e finalidade bem claros, pode vir a materializar. Mas, se nossa classe política não se articula para apresentar um candidato, o que fazer?

Que o povo faça ouvir sua voz, e que decida se quer um deputado forasteiro enviando umas emendas de vez em quando ou um projeto de desenvolvimento real!

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

O DOSSIÊ CAYO ALBINO

Alerta de IA.


Todo mundo costuma dizer que, para votar em um candidato, é preciso pesquisar sobre ele. Em Garanhuns, o candidato onipresente, nas redes e nas ruas, é o filho do Prefeito, o já deputado Cayo Albino. Mas, além do sobrenome, o que de fato sabemos sobre o rapaz?

 

Origens

 

Cayo, como já dito, pertence à ilustre família que já deu a Garanhuns vários políticos. Filho do prefeito de sua primeira união, Cayo tem 28 anos. Sua primeira “aparição pública” se deu em 2016, quando acompanhou o pai nas manifestações pelo impeachment de Dilma Roussef. Não chegou a discursar ou se destacar e, no mesmo ano, não viu mal em seu pai ser apoiado pelo PSB e pela esquerda na campanha a prefeito.

Derrotado o pai, que foi nomeado assessor especial do governo Paulo Câmara junto a uma mão de políticos derrotados naquelas eleições, Cayo tocou a vida. Em 2017, disputou a seleção para agente socioeducativo da FUNASE, ficando em 190º lugar (fonte: 1501275848_Resultado Preliminar Garanhuns ERRATA.pdf). Não se sabe se trabalhar com a correção de jovens infratores era um chamado vocacional ou apenas um tiro no escuro; o fato é que não há registros de Cayo ter seguido uma ocupação naqueles anos, fora ter cursado Direito e se formado alguns anos depois.

 

O homem: nasce um príncipe

 

O ano de 2020 mudou a vida do nosso candidato. Seu pai, contra quase todas as previsões, se tornou o novo Prefeito de Garanhuns e ele, o primeiro-filho oficial da cidade; seu tio, Johny, se tornara também presidente da Câmara de Vereadores.

Logo trataram de conseguir uma posição condizente com o status de possível futuro herdeiro do prefeito, e, em 2021, foi nomeado pelo mesmo tio Gerente de Departamento de Comunicação Institucional/Articulação Política da Câmara de Vereadores, mas o negócio gerou tanta indignação popular que o Ministério Público, educadamente, recomendou que o presidente da câmara o desistisse da nomeação (fonte: Blog Capoeiras: O Agreste é Notícia em 20/02/2021) e o filho do Chefe do Executivo voltou a engordar a fila do desemprego. O promotor disse que a presença de Cayo no cargo de gerente (ou estagiário?) era uma quebra direta da Súmula vinculante 13 do STF, que proíbe o nepotismo (nomeação de parentes para cargos administrativos) no Brasil.

Isso não impediu seu pai de arranjar-lhe um novo emprego na velocidade da luz: o jovem de 21 anos agora seria secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento do Agreste Meridional (Codeam), no qual ficou responsável por gerenciar e articular recursos (de quem e para quem, só ele sabe!) e que era presidida pelo seu pai. O serviço na Codeam logo foi trocado por uma assessoria direta com o padrinho de seu pai, o deputado federal Felipe Carreras, numa atividade que certamente serviu para o jovem Albino “observar e aprender” com o já experiente parlamentar.

Buracos não fechados vieram, obras não saíram do papel e uma crise se instalou na cidade, mas o Prefeito resolveu lançar seu filho como o candidato a deputado estadual da gestão em 2022. A decisão provocou mais uma onda de indignação, já que a família Albino já ocupava diversos cargos de poder e, na percepção do povo, só queria mais um. Isso não abalou o prefeito, que enfrentou uma campanha difícil para fazer Cayo chegar à ambiciosa meta de dobrar o Cabo das tormentas para o candidato a deputado estadual daquelas eleições: os 35 mil votos que analistas projetavam para que ele garantisse sua vaga na ALEPE.

Para tal, o Prefeito apelou até a João Campos, que era Prefeito do Recife, para conseguir “uns 3 ou 4 mil votos” para o filho. O áudio desmotivou aliados e revelou o óbvio: Cayo não seria o candidato a deputado estadual mais votado na cidade.

As urnas, enfim, desfecharam um duro golpe em Cayo e no Prefeito: os 32.509 votos, 16 mil deles em Garanhuns, deixaram o infante na suplência, e o deputado Izaias, que bateu os 22 mil votos apenas na cidade, não só se tornou deputado estadual, como tinha uma posição de prestígio junto à governadora eleita. Para Cayo, restou o total R$ 11 mil em multas por propaganda eleitoral irregular (fonte: Mesmo após término de campanha, o candidato a deputado estadual Cayo Albino, continua colecionando multas da Justiça Eleitoral) e a esperança de um dia se tornar deputado.

Enquanto isso, continuava o seu “estágio” com o deputado Carreras, que era apoiado pela família Albino em razão dos milhões que supostamente teria mandado para Garanhuns. Falaremos sobre isso em outra oportunidade...

João Campos, no entanto, talvez comovido pelo triste pedido por 3 ou 4 mil votinhos de Sivaldo em nome do filho, resolveu oferecer uma vaga de Secretário a um dos deputados do PSB, Eriberto, para que Cayo, em 4 de janeiro de 2025, assumisse a vaga de deputado, principalmente depois que Sivaldo Albino conseguiu vencer as eleições de 2024 com 71% dos votos e praticamente aposentou Izaias Regis. As emendas ao orçamento, ou seja, as verbas a que o parlamentar tem direito, podem ter sido divididas entre Cayo e o deputado Eriberto, mas não se tem certeza se algum centavo chegou a Garanhuns além do salário das dezenas de assessores nomeados por Cayo em seu novo gabinete.

Na ALEPE, começou enfrentando diretamente o deputado Izaias Regis e, devido aos bons serviços (ou falta deles), em 28 de abril de 2025, recebeu a medalha Osvaldo Ferreira da Silva (Mérito Politico) das mãos do tio, Johny Albino, presidente da Câmara de Vereadores (fonte: 34-20250429093000.pdf).

Todavia, como o que é bom dura pouco, em abril de 2026, Eriberto voltou ao cargo e Cayo, ao desemprego. Antes mesmo de pensar em dar entrada no seguro, existia a expectativa de que o infante favorito de Garanhuns retornasse logo à ALEPE: o deputado Waldemar Borges se encontrava doente, em estado terminal, e o próximo a assumir sua vaga seria justamente Cayo, que já assumiu o cargo provisoriamente em 12 de junho de 2026 e, em 6 de julho, de forma definitiva, com a partida de plano do antigo colega de partido.

Antes de partir, porém, Waldemar utilizou quase todas as suas emendas ao orçamento, deixando o jovem Albino sem um centavo para enviar para Garanhuns, mas com seis meses de mandato titular para turbinar a sua reeleição, já que, novamente, seu pai apostou em sua candidatura neste conturbado ano de 2026.


E foi no mesmo ano que Cayo se tornou líder da oposição na ALEPE. Sem mais.

 

O candidato

 

Cayo se define, em seu registro de candidatura, como “branco” e aponta sua profissão como “deputado”. Chama a atenção esse detalhe, já que ser deputado deveria ser um serviço, um estado transitório, e não um modo de ganhar a vida. Significa dizer que, caso não seja eleito, Cayo automaticamente se tornará um desempregado, ou que não sabe fazer outra coisa da vida além de propor leis e fazer discursos – embora se desconfie que, enquanto sua família deter o poder, ele sempre terá um cargo para chamar de seu.

Essa informação de ter como profissão “deputado” contrasta com a que consta no site da ALEPE, onde Cayo se apresenta como “advogado”, embora não tenha inscrição perante a OAB:

É de se pensar que o “doutor” Cayo tenha se equivocado ao se apresentar como advogado, já que quem anuncia exercer a advocacia ilegalmente pode pegar de 15 dias a 3 meses de prisão, com multa, por se tratar de contravenção penal (art. 47 da LCP).

Alega ainda possuir R$ 236.826,19 em bens (principalmente aplicações de renda fixa), o que não é nada do outro mundo para quem passou quase um ano e meio recebendo R$ 34.774,64 de salário.  Mas, quando comparamos com os bens que declarou em 2022 (fonte: https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/NORDESTE/PE/2040602022/170001620364/2022/PE), vê-se um detalhe inusitado: naquele ano, Cayo afirmava ter apenas um veículo, e no valor de R$ 121.404,00 (considerado de alto valor para a época e, como era próprio, é difícil imaginar que foi comprado às próprias expensas).

Em quatro anos, Cayo quase duplicou o valor do seu patrimônio, e isso enquanto era assessor parlamentar e, por um ano e meio, deputado estadual suplemente e agora titular.

Ainda sobre dinheiro, seus doadores de campanha, até agora, ficaram dentro da família: os tios Sinval e Senivaldo (10 mil reais e 20 mil reais, respectivamente), e o próprio pai, Sivaldo (R$ 34 mil), além de R$ 20 mil em recursos próprios. Há apenas uma exceção: o deputado Felipe Carreras doou R$ 200 mil reais para a campanha de Cayo (fonte: https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/NORDESTE/PE/20322002026/170002542424/2026/PE) o que demonstra que o padrinho político tem grandes expectativas na vitória do afilhado. Até agora, já foram R$ 548 mil em despesas, mas esse valor pode chegar até R$ 1,2 milhão.

O que causa estranheza nessas doações é que um deputado federal ponha 200 mil reais na campanha de um candidato a deputado estadual, exatamente o dobro do que o próprio PSB transferiu para a campanha do infante Albino. O melhor palpite é que o material e as despesas que serão custeadas acabarão servindo para os dois candidatos, e talvez mais para Carreras do que para Cayo.

Mas, fora todos esses números, o que Cayo apresenta de concreto ao eleitor de Garanhuns?

Em suas redes sociais, não constam propostas para o futuro possível mandato. Cayo defende, genericamente, uma plataforma difusa em favor da juventude do Estado (já que é o deputado estadual mais jovem atualmente), sem maiores propostas legislativas. Ele não diz, por exemplo, onde irá aplicar os R$ 8 milhões de emendas parlamentares as quais terá direito a partir de 2027.

Entretanto, prefere mais prestar contas de suas realizações do que fazer promessas: afirma ter apresentado mais de 50 projetos de lei, mas só constam 49 no site da ALEPE (fonte: https://proposicoes.alepe.pe.gov.br/?field-proposicoes=&field-autores=Cayo+Albino&field-tipo-filtro=projetos&field-proposicoes-filtro=autor).

Seu maior destaque, com certeza, é a PEC 29/2025, o “orçamento da juventude”, que supostamente define recursos obrigatórios para o jovem em saúde, educação, assistência social, qualificação, emprego e acesso à universidade. Embora seja simbolicamente importante, não afeta muito a vida do jovem comum e não muda ou majora os investimentos que já são realizados pelo Estado nessas áreas. Há também um projeto que aumenta a proteção a pessoas com transtorno do espectro autista, sem maiores repercussões.

Seis de seus projetos, faça-se justiça, mencionam Garanhuns: vão desde a inclusão da festa de São Sebastião no calendário oficial do Estado até instituir a cidade como área de especial interesse turístico, além de lhe conferir o título de “terra dos grandes festivais” e garantiu a fixação do Garanhuns Jazz Festival no calendário oficial do Estado. Com exceção desse último projeto (que já foi derivado de outro projeto, apresentado pelo deputado Diogo Moraes) nenhum dos demais trouxe qualquer benefício material para Garanhuns.

Mesmo com praticamente três meses após retornar à ALEPE, o último projeto de Lei de Cayo foi para conceder “o título honorífico [de cidadão pernambucano] ao. Michel Moreira Leite”, um médico oftalmologista radicado em Garanhuns, apresentado em 23 de abril.

Como autor de requerimentos, Cayo foi bem mais econômico, e apresentou um pedido de informações à governadora e ao Secretário de Defesa Social indagando qual o efetivo da PMPE nos municípios do Agreste Meridional, com quantitativos de viaturas operacionais, bem como o efetivo da PCPE, e eventual cronograma de distribuição de novos agentes da Lei pelo Agreste. Um comentário: sobre os quantitativos de policiais, bastaria ao nobre deputado consultar os portais da transparência do Estado ou o Boletim Geral da SDS/PE.

Como exemplo, veja-se o efetivo dos batalhões e unidades da polícia militar em 2023 aqui (fonte: https://www.pm.pe.gov.br/?mdocs-file=39299). Garanhuns e região tinham 361 militares atuantes.

Em resumo: o curto mandato de Cayo Albino não foi um desastre, mas esteve longe do que se espera de um representante do Agreste Meridional. Suas ações trouxeram pouco ou nenhum benefício para Garanhuns, em que pese seu patrimônio quase tenha dobrado.

 

O poder

 

Tendo em vista que Cayo parece caminhar rumo a ser eleito (quem sabe não?), é preciso contextualizar o grau de poder que ele terá como deputado estadual.

Atualmente. Cayo tem 25 assessores em seu gabinete na ALEPE, com 2 coordenadores de expediente, dois assessores adjuntos e um chefe e o resto de assessores especiais (fonte: https://transparencia.alepe.pe.gov.br/pessoal/listagem-servidores), com R$ 2.732.419,08 anuais ao ano só a título de salários dos funcionários. Isso sem contar os R$ 34.774,64 de salário, mais até R$ 60.073,27 mensais a título de ajuda de custo (fonte: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2024/06/25/deputados-estaduais-aumentam-verba-de-gabinete-em-20percent-e-valor-do-auxilio-pode-chegar-aos-r-60-mil-por-mes.ghtml). Ele sozinho, durante os 4 anos de mandato, poderá custar R$ 2.883.516,96.

Neste ano, o filho do Prefeito gastou mais de R$ 60 mil em diárias (viagens, almoços e hospedagens), conforme informa a ALEPE (fonte: Painel_Diarias), o que só aumenta o custo de mantê-lo como deputado estadual.

Além de todo esse dinheiro para despesas com o mandato, resta a cereja do bolo: R$ 8.047.000,00 a título de emendas ao orçamento estadual. Ou seja, com poucas limitações, Cayo terá, nos quatro anos enquanto deputado, R$ 32.188.000,00 para investir como quiser e onde quiser, desde que a maior parte se dê em ações de saúde. Daí tanto investimento na candidatura de Cayo: com R$ 256 milhões em empréstimos a pagar, as emendas de Cayo podem salvar o Prefeito de Garanhuns em algum momento.

Diante de tudo isso, as perguntas a se fazer são: você confiaria R$ 32.188.000,00 para que alguém que nunca trabalhou fora das indicações políticas do pai administre como quiser? Deixaria que um deputado que redigiu 49 projetos de lei, vários deles concedendo títulos de cidadão a amigos, e outros meramente simbólicos, possa legislar sobre os seus impostos, taxas, segurança pública etc.? Confiaria em um deputado que, a cada eleição, quase dobra de patrimônio?

P.s.: essa não é uma insinuação de que o deputado Cayo tenha cometido alguma irregularidade; não há registro disso. É apenas um questionamento sobre se é desejável que nossos políticos enriqueçam nos seus cargos ou não.

O fato é que Cayo é um retrato da gestão Albino nas coisas públicas: muita propaganda, pouca efetividade e, principalmente, muito despedício de dinheiro público. 


O futuro...



Nesse sentido, Cayo Albino poderia ser um cidadão qualquer. Talvez, se o destino não tivesse posto seu pai na Prefeitura, seria um jovem advogado (dessa vez com a OAB) ou talvez tivesse tentado novamente a seleção de agente sócio educativo da FUNASE. O fato é que ele é, hoje, não apenas o filho do Prefeito, mas um deputado de realizações modestas, altos custos e gastos e é uma peça fundamental para que sua família mantenha a Prefeitura em 2028, talvez com o próprio herdeiro à testa do município.

O rapaz merece mais um mandato? Tire as suas impressões.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO DO PREFEITO DE GARANHUNS, VICE E AUXILIARES COMEMORA UM ANO

 

Alerta de IA. 

Depois de virar notícia nacional e tornar Garanhuns conhecida de norte a sul não apenas pelo clima ameno e pelos eventos famosos, o auxílio-alimentação aprovado pelo Prefeito para si mesmo, seu vice, Secretários e presidentes de autarquias acabou de fazer aniversário no último dia 14 de agosto de 2025.

Não sabemos se o Prefeito e seus auxiliares gastaram parte dos R$ 750 mil que receberam durante o último ano comemorando com um kit festas, mas sabemos que foram às últimas consequências para restabelecer o benefício, após a sua suspensão liminar pelo Judiciário (fonte: https://g1.globo.com/pe/caruaru-regiao/noticia/2025/09/17/justica-libera-auxilio-alimentacao-de-r-5-mil-para-prefeito-de-garanhuns.ghtml).

Não adiantaram os protestos e a fúria das redes sociais, que já vinham sendo registradas desde antes da canetada que criou um benefício para autoridades que não apenas ganham muito bem, mas ainda abocanham R$ 168 mil anuais em coffe-break e almoços chiques (fonte: https://www.instagram.com/p/DdDBYJ5DV-w/).

Tudo isso levou à uma ação popular, proposta por este que vos escreve, que, sem muita esperança e diante do cenário de consternação e inação geral, resolveu confiar no Direito para tentar mostrar aos poderosos que eles não podem tudo e que a deusa cega da balança ainda paira no mundo dos mortais. Para a alegria de quase todos os garanhuenses (menos os beneficiários do auxílio e seus asseclas), o Judiciário suspendeu o vergonhoso benefício, o que, infelizmente, não durou muito.

Para compensar receber um auxílio-alimentação maior que os dos ministros do STF e até mesmo que o presidente Lula, o Prefeito decidiu doar R$ 6 mil para o Abrigo São Vicente de Paula e para a APAE (fonte: https://blogcenario.com.br/2025/09/03/coluna-da-quarta-prefeito-de-garanhuns-vai-doar-parte-do-seu-salario) o que já demonstra que a simples contestação judicial do benefício já gerou algum benefício social.

No entanto, o vice-prefeito, secretários e presidentes de autarquia mantiveram, caladinhos, seus R$ 2.500 mensais, R$ 690 mil anuais.

Uma pergunta que muita gente faz é: sim, e como tudo acabou?

A verdade é que não acabou. Só a liminar que suspendeu o pagamento do auxílio-alimentação caiu, mas o processo ainda não teve uma decisão final.

O Judiciário reuniu a ação popular que gerou a suspensão liminar do auxílio (Processo nº 0005657-35.2025.8.17.2640) junto à outra ação popular e à uma ação civil pública movida pelo Ministério Público para julgar os três processos de forma conjunta. Depois de controvérsias sobre quem seria o promotor legalmente habilitado para representar a sociedade nessa importante demanda, os processos se encontram prontos para serem sentenciados, inclusive com parecer amplamente favorável do Ministério Público.

Até lá, ficam as lições de todo o episódio: o abuso do poder sempre tropeça no próprio excesso. Se é verdade que o poder absoluto corrompe absolutamente (Thomas Paine), também é verdade que a primavera pode demorar a chegar, mas não pode ser detida. É pelos excessos que conhecemos os reais objetivos dos que estão no poder, e é pela sua postura nos tempos de bonança que lhes advínhamos o caráter. Aprovar benefícios pagos com dinheiro público, mesmo auferindo quase 40 mil reais de salário, e brigar na justiça por eles, mesmo diante do constrangimento nacional de defender uma medida indefensável e imoral, demonstra que o objetivo dos que estão no poder é locupletar-se com recursos públicos e, mais que isso, transmitir uma mensagem simbólica: eles podem fazer o que quiserem devido aos polpudos êxitos eleitorais.

Contudo, nenhum poder dura para sempre. E Garanhuns já provou que, quando enjoa dos seus tiranos de plantão, eles nunca mais voltam a por os pés na Prefeitura. Hoje, estamos na expectativa de que o Judiciário se posicione e, assim, possa recuperar um pouco da sua imagem perante a opinião pública nacional, tão fustigada nos últimos tempos. A outra expecativa é que a população responda, nas urnas, o que realmente acha do auxílio-alimentação e de outras políticas de enriquecimento da família que governa a cidade.

Que a Justiça se faça presente e que o auxílio-alimentação que envergonhou Garanhuns nacionalmente não sopre duas velinhas ano que vem!

AS ELEIÇÕES DE 2026 EM GARANHUNS: O CICLO DO ATRASO

 Já se vão alguns anos desde que as eleições na cidade das garoas alternam entre a regra do marasmo e a exceção das esperanças renovatórias frustradas, em um verdadeiro ciclo da mediocridade.  

Agora, em 2026, depois da renovação de Izaias Régis (2012), três períodos de marasmo (2014, 2016 e 2018), uma última renovação (2020) e outras duas eleições de marasmo (2022 e 2024), estamos a caminho de mais um pleito banal, para completar a regra de três marasmos antes de uma renovação que, em tese, vai reiniciar o ciclo. Mas, se depender do atual Prefeito e de seu grupo político, renovação é a última coisa que vai acontecer em Garanhuns nas próximas eleições. Será mesmo?

 No meio desse ciclo, não há dúvidas de que o personagem principal é o deputado estadual Cayo Albino, filho-herdeiro do Prefeito Sivaldo e principal aposta do grupo político que dá as cartas em Garanhuns para não apenas renovar a vaga de deputado estadual para a família, mas também começar com o pé direito a marcha das eleições de 2028. A vitória do jovem Albino com uma boa votação aumentará a margem para que o Prefeito possa decidir com mais autonomia quem será o candidato à sucessão – provavelmente seu irmão, o atual presidente da Câmara de Vereadores, ou o próprio Cayo.

No jogo, está a manutenção de como Garanhuns vem sendo governada hoje, ou seja, uma repetição trágica dos últimos 30 anos, com grandes maiorias na Câmara, muitos cargos distribuídos, obras sonrisal e sujeição a dirigentes partidários de fora, com o plus do orçamento secreto, das emendas parlamentares, dos grandes eventos praticamente mensais e do emprego generalizado da família do Prefeito em cargos públicos. Só o que mudou mesmo foram as cores do prefeito de plantão no poder.

E é justamente esse plus que pode quebrar a regra do marasmo/renovação em Garanhuns. 

Em interessante levantamento (fonte: Emendas parlamentares distorcem competição eleitoral - 09/10/2024 - Opinião - Folha), a Folha de São Paulo revelou que, quanto mais recursos os prefeitos recebem do orçamento secreto e de emendas parlamentares, maior a sua taxa de reeleição, que sobe de 78% (quando a cidade recebe menos de R$ 847,90 por eleitor) para 98% (quando se recebe R$ 2.543,70 por eleitor).

Consta que, entre 2021 e 2026, Garanhuns recebeu R$ 38.060.892,05 desse tipo de recurso (fonte: Painel das Emendas Parlamentares Individuais e de Bancada — Tesouro Transparente) e, considerando que a cidade tem 99.649 eleitores, isso representa R$ 381,94 em emendas por eleitor. Na última eleição (2024), R$ 42,33 por eleitor.

Embora seja menos da metade que o piso da reeleição, ainda assim um candidato apoiado pelo atual Prefeito (caso o ritmo das emendas transferidas a Garanhuns se mantenha) é de mais de 70%.

À primeira vista, pode parecer que Garanhuns está condenada a ser governada pelo próximo da linha de sucessão da dinastia Albino. Mas será?

Para efeito de comparação, no mesmo período (2021-2026), a pequena cidade vizinha de Brejão recebeu R$ 32.298.346,00 em emendas, ou seja, R$ 3.325,95 por eleitor; no ano da última eleição, em 2024, nosso índice de emenda por eleitor ficou em R$ 991,04. O mesmo índice, aplicado em Serra Talhada foi de R$ 1.023,25 por eleitor, e cerca de R$ 257,83 apenas em 2024.

A diferença entre essas duas cidades é que, em Brejão, a prefeita no poder não era candidata à reeleição e não conseguiu eleger o sucessor (mesmo com quase mil reais por eleitor investidos na cidade), mas a Prefeita de Serra Talhada, candidata à reeleição, conseguiu vencer facilmente, com 57% dos votos válidos (fonte: Apuração das Eleições em Serra Talhada (PE) | Eleições 2024) e apenas R$ 257,83 por eleitor para gastar em obras e ações na cidade.

Ou seja: embora o dinheiro das emendas e do orçamento secreto seja importante, não é capaz de, quando os valores são mal aplicados, definir os rumos eleitorais de uma eleição.

Nesse quesito, Garanhuns patina com dezenas de obras paradas, como o Cristo do Magano, o Museu do FIG, a CEAGA e intervenções no Parque Euclides Dourado e mega-obras como o Hospital Municipal – que não se sabe quando nem se será inaugurado. Ora, se as obras já estão a ritmo de bicho-preguiça e a cidade está longe de ser uma grande destinatária de emendas, não é de se se impressionar que as emendas não sejam capazes de dar muitos poderes para o atual Prefeito de Garanhuns impor alguém da família real como candidato favorito em 2028.

Há, no entanto, outro fator que pode definir os rumos das eleições atuais e das eleições de 2028 – por que esse mesmo fator foi definitivo em 2024.

Em Garanhuns, 66,87% do pessoal empregado pela Prefeitura e Câmara de Vereadores é de contratados por “excepcional” interesse público (setembro de 2026):

Fonte: Garanhuns - TomeConta

Quase todos os 3.578 contratados têm como data de ingresso os primeiros meses de 2026, possivelmente se tratando da renovação de contratos antigos. Em setembro de 2024, a cidade tinha 3.014 contratados (60.30% do total), o que representa um pouco menos que os dias de hoje, mas foi o bastante para o resultado se refletir nas urnas: Sivaldo Albino foi reeleito com 71% dos votos (fonte: Apuração das Eleições em Garanhuns (PE) | Eleições 2024).

Em dois anos, o número de contratados em Garanhuns aumentou cerca de 18%, e estamos na reta final das eleições 2026 com um exército de 3.822 potenciais apoiadores e cabos eleitorais, dentre contratados e comissionados.

A gangorra parece se inclinar, novamente, a favor da família Albino, devido ao peso extra dos milhares de contratados.

Outro fator, porém, caiu como um raio nos planos continuístas/familiares do Prefeito. A Resolução TC nº 296/2025 do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), estabeleceu que os municípios do Estado deverão reduzir o percentual de contratados a 50% do total de pessoal empregado em dezembro de 2026 e, até as eleições de 2028, esse percentual não deverá ultrapassar 30%.

Para o prefeito de Garanhuns, isso significa perder mais da metade dos 3.578 contratados e é um severo golpe no plano familiar de continuidade no poder, sob pena de ter suas contas rejeitadas e se tornar inelegível, bem como cometer ato de improbidade administrativa.

Mas, dentre esses cargos perdidos, certamente não estarão os da família do Prefeito. 

Embora seja difícil mapear todos os parentes ocupando funções públicas, pode-se identificar pelo menos 8 integrantes das famílias Albino e Rodrigues (fonte: https://drive.google.com/file/d/1EGiJLdufkoV1ozzCY_tDiBhc_IwpEM-u/view?usp=drive_link), o que inclui três secretários municipais (Educação, Obras e Cultura) e o presidente da Câmara de vereadores.

Só o Secretário Fá Albino, das obras, controla, em 2026, R$ 90.923.448,88; Sandra Albino, da cultura, R$ 48.567.000,00; o vereador e presidente da Câmara Johnny Albino vai controlar R$ 25.506.000,00; Wilza Vitorino, da educação, R$ 229.660.546,41. Esses nomes controlam, atualmente, 49% do orçamento geral de Garanhuns (fonte: 34-20260608155219.pdf, p. 47-59).

Mais particularmente, dentre parentes com cargos comissionados e os próprios secretários e o Prefeito, o total anual de salários que a família Albino recebe de Garanhuns fica em cerca de R$ 1.496.750,96. Isso tudo mostra que, no entender da Ciência Política, a família Albino é uma oligarquia, ou, como definiu o cientista político Vanuccio Pimentel, um “clã”, uma organização familiar de caráter informal na qual os parentes distribuem entre si cargos públicos e a gestão de orçamentos, visando se eternizar no poder (fonte: New_Tese_Final.pdf). Para manter o controle da Prefeitura, o clã/família distribui recursos entre seus próprios membros para manter a “rede de clientes” que dependem direta ou indiretamente da família, como os quase 4 mil contratados e comissionados que hoje trabalham para o Município.

São esses clientes que mobilizam eleitores, vitaminados pelo controle orçamentário familiar do orçamento público, para que o candidato da situação familiar sempre vença as eleições e reproduza o modelo para a geração política seguinte (PIMENTEL, Vanucio. A primazia dos clãs: a família na política nordestina. Disponível em: New_Tese_Final.pdf. Acesso em 24 de setembro de 2026. P. 90).

A coisa piora quando vamos para a economia local. 

A aposta dos Albinos, no poder há cinco anos, é nos eventos de massa, muito ao estilo das festas de São João de Caruaru. Ou seja, transformaram eventos que já ocorriam na cidade (como o Festival de Inverno, o Viva Dominguinhos e o Natal dos sonhos) em shows de massa, com o notório exemplo do FIG 2026, cujo investimento ficou estimado em R$ 35 milhões de reais (fonte: https://www.instagram.com/p/DcbU4FmlawH/), sendo R$ 15.348.800,00 apenas para as grandes atrações da Praça Mestre Dominguinhos.

O valor é chocante, já que, em 2023, o total investido não passou dos R$ 11,2 milhões de reais (fonte: https://www.panrotas.com.br/100xbrasil/destinos/2023/07/festival-de-inverno-de-garanhuns-pe-tem-investimentos-de-r-112-milhoes_198355.html).

A Prefeitura, no entanto, fez divulgar na mídia que o FIG 2025 (ainda não temos os dados completos da edição de 2026) teria movimentado mais de R$ 200 milhões, elevado a ocupação da rede hoteleira para mais de 90%,  gerado alta na receita de bares e restaurantes acima de 30% e melhorado a receita do comércio em 15% (fonte: https://penews.com.br/33o-fig-movimenta-r-200-milhoes-e-atrai-mais-de-2-milhoes-de-pessoas-a-garanhuns/).

 A percepção do povo de Garanhuns, no entanto, foi de que a demanda por serviços caiu quase 50% já entre 2023 e 2024 (fonte: https://www.diariodepernambuco.com.br/viver/2025/07/7793868-fig-2025-tem-baixa-expectativa-de-publico-e-de-movimentacao-financeira.html) o que afetou muito a percepção negativa sobre o FIG 2025. Ou seja, donos de bares, restaurantes e hotéis, além dos comerciantes em geral, perceberam que o perfil do turista mudou: saiu aquele que se hospedava por dias na cidade para vir, em seu lugar, o excursionista, aquele turista do “bate e volta”, que, em 2024, já eram 44,95% do total de visitantes.

Em que pese a Prefeitura alegue que 59% dos turistas afirmaram ter passado mais de três dias no evento em 2025, esse percentual (mesmo se o considerarmos inflado) é uma queda drástica diante dos 87% que passavam mais de um dia na cidade hospedados em 2022 e 2023. A queda dos turistas hospedados – os que pagam diárias de hotéis, almoçam, jantam e compram lembrancinhas – e sua substituição pelos excursionistas decorre da mudança do perfil do evento, mais voltado aos shows da Praça e menos aos polos descentralizados, que perderam a programação diária e cultural que sempre foi a marca do evento.

Venhamos e convenhamos: aumentar a receita do comércio em 15% no mês da principal festividade do município é um resultado medíocre. A percepção sobre o resultado ruim do FIG 2026 aumenta quando olhamos os empregos gerados em julho de 2026 (fonte: https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiNWI5NWI0ODEtYmZiYy00Mjg3LTkzNWUtY2UyYjIwMDE1YWI2IiwidCI6IjNlYzkyOTY5LTVhNTEtNGYxOC04YWM5LWVmOThmYmFmYTk3OCJ9&pageName=ReportSectionb52b07ec3b5f3ac6c749):  entre demissões e admissões, foram meros 79 empregos de saldo que, segundo a Prefeitura, sustentaram quase R$ 200 milhões em movimentação de recursos!

Em 2025, foram 97 vagas criadas a mais que demissões, o que demonstra que, mesmo com R$ 35 milhões de reais em gastos públicos municipais, a cidade gerou menos empregos em 2026 que no ano anterior.

Quando olhamos para os outros eventos (Viva Dominguinhos, Garanhuns Jazz Festival, Festa de Santo Antônio, Encantos do Natal etc.) a geração de empregos se mantém tímida, chegando ao pior nível justamente em dezembro de 2025, quando a cidade perdeu 60 vagas, bem em meio ao ápice do evento do Natal.

Isso aconteceu mesmo com a Prefeitura investindo mais de R$ 7 milhões em 2025, o que, somado às edições de 2021 até o próprio ano de 2025, gerou R$ 26 milhões em gastos (fonte: https://www.blogdocarloseugenio.com.br/prefeitura-destina-r-76-milhoes-para-o-natal-de-garanhuns-entre-2021-e-2025-investimento-ultrapassa-r-26-milhoes-de-reais/), mesmo após o Tribunal de Contas apontar gastos excessivos e sem justificativa e ordenando a limitação de despesas (fonte: https://g1.globo.com/pe/caruaru-regiao/noticia/2025/09/01/tce-pe-limita-gastos-com-decoracao-para-projeto-encantos-do-natal-em-garanhuns-apos-apontar-sobrepreco.ghtml) e ter detectado que, entre 2020 e 2025, o gasto com o evento (principalmente com a Casa do Artesão, a responsável pela decoração) aumentou em 472%.

É desnecessário dizer que, já como o evento do Natal é mais decorativo, afora os desfiles e poucas atrações, o principal perfil do turista é justamente o excursionista.

Tudo isso demonstra que o “projeto econômico” do grupo no poder em Garanhuns, pelo menos no que diz respeito à geração de riqueza e de empregos, deu e está dando errado. Montanhas de dinheiro são gastas em eventos que não geram empregos, receitas ou faturamentos que justifiquem tantos gastos. Esse desperdício, ao lado do pouco que foi transferido em emendas parlamentares à cidade, só reforça a suspeita de que o incentivo às festas é uma política deliberada para satisfazer muitos fornecedores privados amigos do poder e aliciar a população com festas e mais festas.

Isso já seria ruim o suficiente, mas tem mais: a Prefeitura, em que pese estar torrando dezenas de milhões nas festas, teve que pedir emprestado. Foram R$ 120 milhões em maio de 2026, R$ 36,3 milhões contratados em abril de 2026 e R$ 100 milhões tomados em maio de 2023, totalizando R$ 256 milhões em empréstimos (fonte: https://www.blogdocarloseugenio.com.br/sivaldo-oficializa-novo-emprestimo-para-a-prefeitura-de-garanhuns/). Somente o empréstimo de R$ 100 milhões custará outros R$ 40 milhões em juros e Garanhuns poderá perder até 16% das verbas federais que lhe são repassadas, tendo em vista que foram usadas como garantia pelo empréstimo (fonte: https://www.instagram.com/reel/DQMBZAekcVm/). O alto endividamento vai comprometer as finanças municipais até cerca de 2034.

Estamos diante de um futuro no qual a Prefeitura investe o que tem e o que não tem em grandes eventos de massa e se justifica com base em números fantasiosos; em uma máquina pública inchada que será alvo de cortes em breve.

E Garanhuns se reduziu a isso: uma família que controla cargos, verbas e pessoas, buscando reproduzir o próprio poder nas próximas eleições, sempre dentro da unidade familiar. Para esse fim, o desenvolvimento da cidade é sacrificado e o município se endivida, se afunda em obras sem propósito e vê cada vez menos empregos e empreendimentos serem gerados, ainda desperdiçando os poucos recursos que recebe em emendas parlamentares com obras sonsiral e eventos de massa que não geram retorno. A herança maldita de endividamento, obras paradas, decadência econômica, desperdício de recursos e revolta popular pela concentração de cargos na família pode ser o ingrediente para que os planos dinásticos dos Albino sejam abalados.

Mas é esse ciclo de atraso que está a caminho de ser renovado nessas eleições de 2026. Se o deputado Cayo Albino vencer as eleições no município com uma margem superior a 30 mil votos, será o óbvio candidato a prefeito em 2028, ou o seu tio será. A derrota de Cayo, nesse sentido, ou se a sua votação na cidade ficar abaixo dos 20 mil votos, representaria uma luz de esperança para que a cidade se liberte da família que a aprisionou e tente romper o marasmo em 2028 com uma verdadeira renovação.

Só depende do eleitor garanhuense decidir se quer mais 6 anos da família Albino se perpetuando no poder, ou se vai iniciar o grito de mudança que ficará ensurdecedor em 2028!