quinta-feira, 2 de abril de 2026

Chuvas de uma volta

 "As chuvas

caem trôpegas de pesar

cujo vento vem para assanhar

esses teus cabelos quase ruivos


e o eco das gotas batendo no chão

ressoa no meu coração

castelo de velhas podridões

esperando pelo retorno de uma nova paixão


como o povo sem rumo 

que carrega um vazio trono

almejo teu retorno

grandes festas marcarão

uma doce coroação


deponho a teus pés uma coroa de flores

não te prometo um reino sem dores

mas sim que meus olhares

e um amor sincero

te afagarão os pesares do poder


Como a chuva suave me afogas

e me preenches de ti 

e no suave bater do vento na água

sinto teu doce clamor 

me chamando, me chamando

como a chuva chama pela terra

e ao se encontrarem fundem-se em um só.''


José Luís Barreto

Por trás desse véu

À distância vejo a dançar

Cálida, calada, bem devagar

Num véu castanho a brilhar

Fascinado, venho a me aproximar 


O que há a ser desvelado?

Por trás desses olhos de menina

O que há a ser revelado? 

Esses teus luzeiros fogem à rotina


Escrevo os dias e suporto as noites

E, quando não te vejo, sonho,

com o dançar dos teus véus; no meu delírio

Daria tudo para olhar teus olhos


A filha de um pai, seja ou não de criação

É a mãe doce que acalenta sua cria

Por trás do véu, o mistério sacramental

E em ti vejo as marcas do Alto


Que o véu caia em meus braços, para que tomes meu coração

Que te desvele, toda pura

Pois esta é uma prece dirigida

À filha de um pai de criação.”