sábado, 26 de setembro de 2026

A VERDADE SOBRE AS EMENDAS DO DEPUTADO CARRERAS

Alerta de IA

Vem sendo constante a afirmação, repetida há uns 5 anos, de que Felipe Augusto Carreras, o deputado federal apoiado pelo Prefeito Sivaldo, mandou “n” milhões para a cidade. Relatos deram conta de que o deputado, que dizem ter domicílio real no Rio de Janeiro, chegou a enviar mais de R$ 100 milhões para Garanhuns por meio de emendas ao orçamento federal, e que essa fortuna foi aplicada em calçamentos, praças e demais obras de relevo.

Consideremos, pois, apenas as emendas individuais, aquelas que cada deputado possui em nome próprio, e não as emendas de bancada, que pertencem a todos os deputados e são repartidas por eles como uma pizza.

Vamos começar pelo geral: Felipe Carreras, dentre 2021 e agosto de 2026, empenhou e promoveu o pagamento de R$ 166.523.179,14 a título de emendas no Estado inteiro[1]. O valor impressionante foi dividido por dezenas de municípios, essencialmente nos quais o deputado foi votado.

Desse total, Garanhuns recebeu R$ 15.412.020,00[2] entre janeiro de 2021 e agosto de 2026, ou 9,25% do total disponível para o deputado “gastar” – considerando apenas as emendas efetivamente pagas. Esse percentual é um pouco menor do que a participação dos votos garanhuenses na votação do nobre deputado: em 2022, 12,9% dos votos dele vieram de Garanhuns, ou 9.878 no universo total de 76.528 votos, o que mostra uma certa justiça na distribuição de recursos por parte do deputado.

Se considerarmos que, entre 2021 e 2026, Garanhuns recebeu o valor total de R$ 38.060.892,05 em emendas, os 15 milhões do deputado chegam a 40% do total recebido pela cidade. Mas, para efeito de comparação, mesmo período, Caruaru recebeu R$ 88.459.527,90, Belo Jardim R$ 42.037.920,68, Serra Talhada R$ 65.352.351,30 e Camaragibe R$ 46.239.633,38. Já Brejão, R$ 32.298.346,00, também no mesmo período.

Qual a diferença entre Garanhuns e essas cidades? Por que elas receberam mais, mesmo sendo menores, de tamanho equivalente ou até duas vezes maior (Caruaru)? Como uma cidade do porte de Brejão, que mal tem 12 mil eleitores e não possui um deputado federal, pode receber quase o mesmo patamar de recursos do que uma cidade dez vezes maior como Garanhuns?

Aqui entra a explicação para o atual momento de desorganização institucional que estamos vivendo. O fato é que a porteira da gastança do orçamento secreto está aberta e quem se dispõe a torrar recursos públicos recebe mais emendas parlamentares; quem tem força política e articulação também consegue se sair melhor captando recursos com deputados sedentos de votos. Daí o deputado Carreras estar aplicando 90% de suas emendas fora de Garanhuns, em cidades que estão melhor articuladas politicamente, possuem projetos melhores ou simplesmente não tem escrúpulos em gastar sem pensar no amanhã.

Em resumo: todos os municípios estão conseguindo a sua “boquinha” de emendas federais, e, quer quisesse, quer não quisesse, algo sobraria para uma cidade do porte de Garanhuns. O fato de receber menos, proporcionalmente, que cidades dez vezes menores só demonstra o quão grave é, para Garanhuns, não ter um representante legitimamente seu na Câmara Federal.

Sim, ter um deputado em Brasília para chamar de seu faz toda a diferença.

É o que podemos conferir no caso de Vitória de Santo Antão, onde a deputada federal local Iza Arruda destinou, em 2025 (fonte: Painel das Emendas Parlamentares Individuais e de Bancada — Tesouro Transparente), R$ 11.197.641,00 em recursos. Isso não a impediu de destinar R$ 2.900.000,00 para Garanhuns, ainda em 2025, apesar de só ter tido 185 votos na cidade (fonte: Detalhamento de Empenho de Despesa - ID: 257001000012025NE463540 | Portal da Transparência); Garanhuns só recebeu R$ 7.977.042,00 naquele ano[3]. A deputada ganhou de muito longe do deputado Felipe Carreras, que, no mesmo ano, destinou apenas R$ 1.589.000,00 para a cidade.

Ou seja, em 2025, Felipe Carreras foi o responsável por apenas 19% das emendas recebidas por Garanhuns. Já Iza Arruda assinou 36% dos recursos recebidos pela cidade.

Esse dado revela um fluxo curioso nas emendas do deputado Carreras: enquanto em 2024, ano de eleições municipais, chegou a enviar R$ 2.571.585,00, 60% do total recebido de R$ 4.218.694,97 naquele ano, no ano seguinte (não-eleitoral) mandou 40% menos.

O ano de 2025 revelou que não apenas o deputado Carreras e Iza Arruda mandavam dinheiro para Garanhuns, mas entraram na lista Fernando Monteiro (R$ 150 mil), Teresa Leitão (R$ 100 mil) e o Pastor Eurico (R$ 792 mil) (fonte: https://www.tesourotransparente.gov.br/consultas/painel-das-emendas-parlamentares-individuais-e-de-bancada).

É no mesmo ano de 2025 que identificamos o padrão de destinação de recursos por parte de Carreras: R$ 500.000,00 para “capacitar micro e pequenos empreendedores” (fonte: https://portaldatransparencia.gov.br/despesas/empenho/690011000012024NE000011?ordenarPor=fase&direcao=asc) e R$ 1.089.000,00 a título de “emenda pix”, sem destinação específica.  

Em suma: é dinheiro que não se destina a nenhum projeto estruturado que possa realmente gerar frutos para a população.

Por falar nisso, neste ano corrente de 2026, Garanhuns conta com apenas R$ 4.299.888,00 em emendas, dos quais R$ 1.499.888,00, ou 34%, são obra de Carreras, 23% do Senador Humberto Costa e o restante constitui uma emenda de bancada. Nosso exemplo de comparação, Vitória de Santo Antão, já soma R$ 19.939.459,00, sendo pelo menos R$ 9.620.465,00 apenas de autoria da deputada Iza Arruda.

Mas mesmo sem um deputado federal, outras cidades se saem melhor: Belo Jardim abocanhou R$ 14.099,463,13 e a pequena Brejão, R$ 6.320.454,00.

Tantos dados nos permitem tomar as seguintes conclusões: Felipe Carreras destinou muito menos recursos a Garanhuns do que se diz por aí (15 milhões, menos de 1/10 do total), costuma esquecer a cidade em anos não eleitorais (com queda no volume de recursos de cerca de 40% em 2025) e mandou menos recursos para Garanhuns do que uma deputada que teve 185 votos na cidade (2025), mas no corrente ano é o responsável por mais de 1/3 das emendas que o município recebeu. Seus recursos não costumam estar vinculados a nenhum projeto ou ação mais concreta e planejada, destinando-se a programas genéricos ou para custear serviços de saúde. Pode-se dizer que, com maior ou menos grau de certeza, os 15 milhões que enviou para a cidade compuseram volume importante do total que Garanhuns recebeu, mas sem maiores garantias de que reverteu em algo benéfico para a população.

Sua atuação mostra como é importante para a cidade não importar um deputado de fora, dividindo um mesmo representante com o Estado inteiro, já que Carreras tem sua base eleitoral na cidade do Recife (de onde vieram metade dos seus votos) e sai a caça de votos esparsos no Estado inteiro. Garanhuns deveria ter um deputado para chamar de seu, em articulação com municípios que a rodeiam e formam um colégio eleitoral que supera 400 mil eleitores. Vitória de Santo Antão, com apenas 4 mil eleitores a mais que Garanhuns, tem a sua representante, e os números mostram o quanto essa opção dos eleitores de lá é acertada.

Assim, parte dos problemas atuais de Garanhuns – estagnação econômica, ausência de oportunidades, baixos salários, especulação imobiliária – vem de escolhas eleitorais que sempre são guiadas por interesses externos e sem considerar os problemas reais da cidade; o voto não representa apenas digitar números numa urna, mas sim escolher quem vai gerir milhões em recursos públicos e como vai fazê-lo. Votar em um deputado de fora até pode garantir umas emendas, mas está longe de garantir o volume de recursos e projetos que podem tirar a cidade do marasmo e pô-la na rota do desenvolvimento – para isso, só um deputado da terra, com projeto e finalidade bem claros, pode vir a materializar. Mas, se nossa classe política não se articula para apresentar um candidato, o que fazer?

Que o povo faça ouvir sua voz, e que decida se quer um deputado forasteiro enviando umas emendas de vez em quando ou um projeto de desenvolvimento real!

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